Ataques de drones ucranianos no Mar Negro forçam a Rússia a redirecionar exportações de grãos para portos no Mar Báltico; União Russa de Grãos estima que novas rotas conseguirão absorver metade do volume que passava pelo Mar Negro
Os exportadores russos de grãos estão mudando a rota dos carregamentos e os redirecionando para o Mar Báltico, usando também os portos dos países bálticos vizinhos.
Os ataques de drones ucranianos no Mar Negro e no Mar de Azov forçaram a busca por rotas alternativas, segundo traders e analistas ouvidos nesta segunda-feira (31).
- Os ataques de drones ucranianos no Mar Negro e Mar de Azov são a maior interrupção do comércio no local desde o início do conflito, há mais de quatro anos.
- A Rússia exportou 46,3 milhões de toneladas de grãos pelo Mar Negro e Mar de Azov na última temporada, o equivalente a 90% do total marítimo do país.
- Os portos russos do Mar Báltico movimentaram apenas 1 milhão de toneladas na última temporada, muito abaixo da capacidade do Mar Negro.
- A Letônia, membro da UE e da OTAN, tem recebido mais grãos russos, apesar das relações políticas tensas entre os países.
- A União Russa de Grãos estima que, na melhor das hipóteses, as novas rotas conseguirão absorver apenas metade do volume que passava pelo Mar Negro.
Conflito afeta o comércio de grãos no Mar Negro
Rússia e Ucrânia têm atacado mutuamente terminais de exportação e navios graneleiros, o que está gerando a maior interrupção do comércio no Mar Negro desde o início do conflito, há mais de quatro anos.
Na última temporada, de julho de 2025 a junho de 2026, a Rússia exportou 46,3 milhões de toneladas métricas de grãos pelos portos de Azov e do Mar Negro. Isso representa 90% do total das exportações russas de grãos por via marítima.
Já os portos russos do Mar Báltico embarcaram apenas cerca de 1 milhão de toneladas no mesmo período.
Segundo uma fonte da indústria que pediu anonimato, os pedidos de transporte de grãos por ferrovia para os portos bálticos russos já atingiram 5 milhões de toneladas até 18 de agosto, principalmente para entrega em agosto e setembro. No mesmo período, foram registrados 6 milhões de toneladas destinados aos portos do Mar Negro de Novorossiysk e Tuapse.
Os exportadores russos também têm recorrido com mais frequência a portos nos países bálticos, principalmente na Letônia, que é membro da União Europeia e da OTAN. Analistas e traders esperam que os embarques aumentem bastante no próximo mês.
Apesar das relações tensas entre a Rússia e seus vizinhos bálticos, os carregamentos de grãos russos pelos países bálticos continuaram, embora tenham caído para cerca de 1 milhão de toneladas na última temporada, ante 2,5 milhões de toneladas dois anos antes.
"A região do Báltico, o noroeste, é o principal recurso agora", afirmou Andrey Sizov, chefe da consultoria Sovecon. "Em setembro, acredito que veremos um aumento acentuado nos embarques pelos países bálticos e pelos portos russos do Báltico."

Porto de Constanta no Mar Negro, 11/05/2022 Olimpiu Gheorghiu





