Trump aprova carne do Brasil e quer baratear alimentos nos EUA

Agronegócio Exportação 09/09/2026 08:00 Redação Digital - Canal Rural canalrural.com.br

O presidente norte-americano elogiou a qualidade da carne bovina brasileira e anunciou uma cota emergencial para importar mais do produto, visando reduzir os preços ao consumidor americano em meio à inflação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou a carne bovina produzida no Brasil. Ele destacou a alta qualidade do produto e apontou o país como um fornecedor essencial para ampliar as importações norte-americanas. O objetivo principal da medida é tentar reduzir os preços cobrados ao consumidor final nos Estados Unidos. Esse anúncio chega em um momento delicado, já que a agricultura brasileira enfrenta diversas restrições comerciais impostas pela União Europeia.

Para entender melhor a situação atual, considere o seguinte:

  • Demanda crescente: Entre janeiro e agosto, os EUA foram o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, adquirindo mais de 269 mil toneladas, um aumento de 28% comparado ao ano anterior.
  • Cota emergencial: O governo americano criou uma regra temporária que permite a importação de 300 mil toneladas de carne magra com impostos (tarifas) reduzidos ou zerados por 90 dias.
  • Expectativa de queda de preços: A Casa Branca espera que essa nova oferta faça o custo da carne cair em cerca de 25% no mercado americano.
  • Infraestrutura pronta: O Brasil já possui cerca de 50 frigoríficos (abatedouros) habilitados e certificados para enviar carne diretamente aos Estados Unidos.
  • Alerta do setor: A indústria brasileira teme que a pressão por preços baixos limite os lucos das empresas exportadoras, mesmo ajudando o consumidor.

O papel do Brasil no abastecimento americano

De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a relação comercial entre os dois países está aquecida. Somente entre janeiro e agosto deste ano, os Estados Unidos compraram mais de 269.000 toneladas de carne bovina brasileira. Esse volume colocou o país asiático como o segundo maior destino da exportação do produto.

Esse número é expressivo e representa um crescimento de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A tendência de aumento mostra que há espaço e confiança para expandir ainda mais essa parceria, especialmente diante das ações recentes do governo trumpista. A estabilidade na produção brasileira é vista como um pilar para a segurança alimentar americana.

Novas regras para conter a inflação

Durante um evento de assinatura de novas ordens executivas voltadas ao setor pecuário, Trump foi enfático. Ele afirmou que o Brasil e a Argentina serão os principais fornecedores de um plano emergencial. Esse plano tem como foco exclusivo conter a inflação de alimentos que preocupa a população dos Estados Unidos. A medida visa aliviar o orçamento das famílias americanas que sentem o peso do custo de vida.

Para facilitar essa entrada de produtos, o governo americano abriu uma cota temporária de 300.000 toneladas de carne bovina magra. Durante 90 dias, as tarifas de importação estarão reduzidas ou totalmente suspensas, o que barateia o custo inicial do produto ao chegar na fronteira. Essa janela de oportunidade é crucial para o fluxo logístico entre as duas nações.

  • A importação será dividida em três etapas, cada uma com 100.000 toneladas.
  • As entregas estão programadas para acontecer entre os meses de setembro e novembro.
  • A expectativa da Casa Branca é de uma redução de 25% nos preços de venda ao consumidor.
  • Atualmente, existe uma lista de cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras habilitadas para essa tarefa.

Reação da indústria brasileira à medida

A ABIEC acompanhou de perto a decisão política e emitiu seu posicionamento oficial. A entidade afirmou que entende a iniciativa do governo norte-americano como uma oportunidade clara e positiva para o setor de exportação brasileiro. No entanto, a associação ressaltou um ponto de atenção importante: o Brasil não será o único país a ter acesso a essa ampliação de cota, o que significa concorrência no mercado.

Além da oportunidade, a ABIEC alertou para um risco econômico. A decisão de forçar a comercialização dos produtos a preços 25% inferiores ao mercado atual pode limitar os ganhos reais da indústria brasileira. Haverá uma pressão para baixar o valor de venda, o que pode afetar a margem de lucro das empresas exportadoras. Dessa forma, enquanto o consumidor americano sai ganhando com preços menores, o setor exportador brasileiro precisa equilibrar volume de vendas com a rentabilidade financeiramente viável para manter a operação ativa.


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