Milho vira carro-chefe da energia e da indústria no Brasil

Agronegócio Etanol 16/09/2026 15:08 Greta Griffante - Agfeed agfeed.com.br

O cereal ultrapassou a fama de apenas ração animal e agora alimenta a indústria de etanol, impulsionando a economia do agronegócio e a transição energética do país.

A visão comum sobre o agronegócio brasileiro geralmente coloca o milho como um coadjuvante perto da soja. No entanto, a realidade atual revela um cenário muito mais dinâmico: o grão tornou-se um pilar central de uma transformação que impacta a produção, a indústria e a matriz energética do país, conectando-se diretamente ao desenvolvimento regional, à segurança de energia e à sustentabilidade.

Originalmente ligado à subsistência e consumo local, o cereal evoluiu para um sistema produtivo de alto valor agregado, ganhando importância estratégica na macroeconomia nacional. Essa mudança faz parte de uma tendência global de aumento da produtividade agrícola, onde Brasil e China lideram os avanços mundiais.

No Brasil, o salto na produção de milho foi expressivo. Dados do Ministério da Agricultura mostram que a colheita saiu de cerca de 20 milhões de toneladas nos anos 1970 para mais de 140 milhões nas safras recentes. Para a temporada 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 140,5 milhões de toneladas, consolidando-se como um dos maiores volumes já registrados.

Explosão do etanol de milho e impactos regionais

Essa evolução técnico-científica é puxada pelo aumento da demanda interna. Embora a ração animal ainda consuma a maior parte, a indústria de etanol de milho cresce rapidamente. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) projeta que a produção desse biocombustível saltará de 791,43 milhões de litros na safra 2018/19 para 9,9 bilhões de litros em 2025/26, representando 22% do etanol total do Brasil.

Com investimentos de R$ 40 bilhões planejados para a próxima década, o etanol de milho liga a lavoura às discussões globais sobre descarbonização, sustentabilidade e mobilidade limpa. O impacto geográfico é notável: a região de Sorriso, em Mato Grosso, já produz mais etanol que Ribeirão Preto, em São Paulo, tradicional polo da cana-de-açúcar. Além de diversificar a energia, essa indústria aumenta a lucratividade das fazendas ao gerar subprodutos proteicos para a pecuária, auxiliando no controle de preços.

Tecnologia e precisão na colheita

Para transformar esse potencial genético em dinheiro líquido e sustentabilidade, controlar perdas e manter a qualidade dos grãos durante a colheita mecânica é essencial. Grãos intactos e limpos melhoram a eficiência industrial e o uso do amido para o biocombustível. Nesse cenário, a John Deere lançou a plataforma de milho CR, fabricada em Horizontina (RS), compatível com colheitadeiras das séries S5, S7 e X9.

Essa tecnologia se ajusta em tempo real às condições da plantação, reduzindo a necessidade de ajustes manuais e minimizando perdas e danos em janelas de colheita curtas. Ela também processa melhor a palha, ajudando no plantio direto e protegendo o solo. Assim, a inovação tecnológica garante que o potencial do milho se converta em rentabilidade estável para o produtor, monitorando com rigor a saúde financeira das propriedades.

  • A produção de etanol de milho deve atingir 9,9 bilhões de litros em 2025/26.
  • O grão representa 22% de todo o etanol produzido no Brasil.
  • Mato Grosso produz mais etanol de milho que São Paulo.
  • Subprodutos do processamento servem como proteína para a pecuária.
  • Tecnologias de colheita reduzem perdas e melhoram a sustentabilidade do solo.


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