Gigante japonês entra no mercado digital de grãos no Brasil

Agronegócio 02/10/2026 07:41 Luiz Fernando Sá | AgFeed agfeed.com.br

A Marubeni, um dos maiores grupos do Japão, fechou uma parceria com a Grão Direto para digitalizar a compra e venda de soja e milho no Brasil. A empresa já é acionista minoritária da plataforma e busca modernizar suas operações.

Com 165 anos de história, o Marubeni é um dos maiores grupos do Japão. Sua receita global supera os US$ 54 bilhões, com negócios em setores distintos, como energia, alimentos, agronegócio, química, infraestrutura e serviços financeiros.

No Brasil, onde atua há mais de cinco décadas, ele segue a tradição oriental de atuar de forma discreta. Mas vem ampliando, sem alarde, suas operações no País.

  • Parceria Digital: A subsidiária Marubeni Grãos Brasil (MGB) fechou parceria com a agtech Grão Direto para digitalizar a compra de soja e milho.
  • Escala de Negócio: A empresa movimenta entre 3 e 4 milhões de toneladas de grãos por ano e faturou R$ 2,6 bilhões em 2024.
  • Logística Própria: A operação conta com o terminal Terlogs em São Francisco do Sul (SC) e atuação nos portos de Santos e Paranaguá.
  • Ouvidos de todos: O grupo controla a Cia. Iguaçu de Café Solúvel e detém 80% da Adubos Real S.A.
  • Impacto Global: O Marubeni responde por cerca de 20% das importações japonesas de grãos, um mercado de 30 milhões de toneladas/ano.

Há algumas semanas, a trading deu um passo relevante na modernização de sua estrutura de comercialização de grãos. Através da subsidiária Marubeni Grãos Brasil (MGB), braço comercial do grupo no País, a empresa fechou uma parceria com a agtech Grão Direto para começar a utilizar as tecnologias da companhia e digitalizar suas operações e sua conexão com o campo.

A adesão ao digital coloca a MBG na mesma esteira de outras grandes companhias do setor, que já integram o ecossistema da Grão Direto. Desde março de 2022, além de usuárias da plataforma da agtech, Amaggi, ADM, Cargill e Louis Dreyfus Company (LDC) são acionistas minoritárias da empresa, tendo entrado juntas em uma rodada de R$ 40 milhões.

O digital não é mais o futuro da comercialização de grãos, é uma realidade agora, diz o texto do comunicado em que as duas empresas informam sobre a parceria.

Estrutura consolidada e logística própria

A entrada no digital acontece sobre uma base consolidada. A MGB é responsável, desde 2011, pela originação de soja e milho no mercado interno, adquirindo grãos de produtores, cooperativas e comerciantes para exportação a destinos como China, Japão e outros países asiáticos.

A empresa movimenta entre 3 e 4 milhões de toneladas de grãos anualmente e faturou R$ 2,6 bilhões em 2024, segundo informações fornecidas pela empresa ao ranking Forbes100 2025. A operação é sustentada por logística própria e conta como trunfo com o terminal graneleiro Terlogs, no porto de São Francisco do Sul (SC), que, embora seja uma empresa independente, pertence ao grupo Marubeni. Além disso, tem atuação nos portos de Santos e Paranaguá.

A presença do grupo no agronegócio brasileiro, porém, vai além dos grãos. O Marubeni controla integralmente a Cia. Iguaçu de Café Solúvel, fundada em 1967 e investida da Marubeni desde 1972, com capacidade de fabricar 23 mil toneladas de café solúvel por ano e exportação para mais de 50 países.

Detém ainda 80% da Adubos Real S.A., empresa de insumos agrícolas sediada em Minas Gerais. A Marubeni Brasil S.A., holding local do grupo controlada 100% da japonesa Marubeni Corporation, mantém escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e atua em segmentos que vão de alimentos e agronegócio a energia, infraestrutura, metais e soluções industriais.

Um gigante global e o ecossistema da Grão Direto

Globalmente, o Marubeni é também um gigante dos grãos. Segundo dados oficiais do grupo, o grupo responde por cerca de 20% das importações japonesas de grãos e oleaginosas, um mercado de aproximadamente 30 milhões de toneladas por ano.

Na divisão de alimentos e agronegócio, a companhia se posiciona entre as primeiras entre os sogo shosha, como são chamados os grandes conglomerados comerciais japoneses que combinam comércio internacional em larga escala, logística, financiamento e investimentos globais.

A parceria com a Marubeni reforça o ecossistema digital que construímos ao longo dos últimos anos e mostra que a digitalização já é o caminho natural para quem comercializa grãos no Brasil, afirma Gabriela Felizardo, head de Operações da Grão Direto, no anúncio.

Quando uma trading dessa relevância decide dar esse passo, é um sinal claro para todo o mercado.

A agtech tem sido eficiente em atrair grandes grupos do agro. Além das quatro tradings, seu cap table conta com nomes como Basf, Bayer e SLC Agrícola. Recentemente, a Minerva Foods comprou uma participação e entrou para a lista. Também entre os investidores estão Bradesco, CME Ventures, Kaszek e Endeavor Scale-Up Ventures.

A Marubeni encontra uma plataforma em plena expansão. Entre 2021 e 2025, o volume negociado digitalmente através dela cresceu 12 vezes, atingindo 12 milhões de toneladas comercializadas no ano passado.


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