A consultoria PwC elevou seu hub AgTech Innovation, sediado em Piracicaba, a uma plataforma global. Com cerca de 700 startups na carteira, a iniciativa visa exportar tecnologias agrícolas do Brasil para mercados como EUA, Nova Zelândia e Emirados Árabes, aproveitando a demanda internacional por inovação tropical.
O interesse crescente de empresas, produtores rurais e investidores internacionais por inovações criadas no agro brasileiro levou a PwC a estruturar uma nova frente de negócios internacionais para seu hub AgTech Innovation, localizado em Piracicaba (SP).
Após dois anos atendendo demandas pontuais de diversos países, a consultoria decidiu criar um roteiro formal para conectar seu ecossistema de aproximadamente 700 startups à sua rede global de clientes.
Principais pontos da notícia
- A PwC vai exportar tecnologias do agro brasileiro para mercados como EUA, Nova Zelândia, Emirados Árabes e Colômbia.
- O hub AgTech Innovation reúne cerca de 700 startups, conectando inovação a grandes clientes globais.
- Segundo a PwC, 33% dos CEOs do agronegócio já veem resultados práticos com o uso de inteligência artificial.
- Um executivo da Nova Zelândia, Ben Wakely, virá ao Brasil por três anos para liderar a internacionalização do hub.
- O projeto busca transformar a capacidade de inovação brasileira em negócios internacionais com retorno financeiro rápido.
Estratégia de Expansão Global
Dirceu Ferreira Júnior, sócio da PwC Brasil, explica que a ideia é levar as tecnologias desenvolvidas aqui para produtores e clientes em países como Nova Zelândia, Emirados Árabes, Colômbia e Estados Unidos. Ele afirma que esse processo já está em andamento.
Em entrevista ao AgFeed durante o AgTech Meeting 2026, realizado no Palacete Monte Alegre, em Piracicaba, Ferreira e Mayra Theis, sócia e líder da Indústria Agro da PwC Brasil, esclareceram que a iniciativa nasceu da demanda externa. Não se trata de um plano original de expansão geográfica, mas de uma resposta à procura crescente de clientes internacionais.
Mayra Theis destaca a frequência dos contatos: "Praticamente toda semana a gente recebe uma demanda". Os contatos chegam através dos escritórios da PwC em diferentes países e envolvem startups, produtores e grandes corporações interessadas em tecnologias, práticas agrícolas e oportunidades de investimento.
Brasil Como Referência em Inovação Tropical
Segundo os executivos, o Brasil se consolidou como uma referência internacional em inovação para a agricultura tropical. Isso se deve especialmente às soluções relacionadas à sustentabilidade e ao manejo agrícola eficiente.
Ferreira afirma que essa é uma pauta em que o Brasil lidera globalmente, destacando a diversidade de práticas sustentáveis desenvolvidas no país. A procura já envolveu clientes da Oceania, Europa, Oriente Médio e Américas, incluindo demandas específicas como a produção de palma no Equador e a piscicultura em outros países da América Latina. "Nosso network é muito grande", garante Ferreira.
Liderança Internacional e Novos Processos
Como parte dessa movimentação, o neozelandês Ben Wakely, sócio da consultoria especializado em agronegócio e transformação tecnológica, está chegando ao Brasil. Sua missão é organizar os processos e a governança da internacionalização do hub. A previsão é que ele permaneça no país por três anos.
Wakely já trabalha na identificação de clientes e sócios da consultoria em mercados prioritários. O objetivo é permitir que o hub ofereça soluções adequadas para essas regiões específicas.
A nova etapa representa uma transformação significativa na trajetória do antigo AgTech Garage, fundado em 2017. O espaço se tornou um dos principais pontos de encontro do ecossistema brasileiro de inovação agrícola, reunindo empreendedores, investidores e grandes empresas durante os anos de expansão das agtechs, antes e durante a pandemia.
Quatro Anos de Gestão da PwC
Em novembro, a aquisição do hub pela PwC completará quatro anos. Desde então, a consultoria ampliou sua atuação, indo além das simples conexões entre startups e empresas agrícolas.
Ferreira explica que o ganho principal da aquisição não foi a receita direta do hub, mas a possibilidade de trazer o cliente e ampliar a perspectiva, saindo de um âmbito focado apenas em inovação para serviços de consultoria mais complexos.
O portfólio do hub chegou a reunir quase mil startups, mas atualmente mantém-se próximo de 700, incluindo empresas de outros setores. Grandes companhias de tecnologia, como Google Cloud, AWS e SAP, estão conectadas ao ecossistema.
"Antes da compra pela PwC, o hub era uma grande startup. Com a aquisição, profissionalizamos os serviços e a maneira de atuar", detalha Ferreira. Para Mayra, essa integração permite combinar a capacidade de inovação das startups com os serviços de consultoria e as alianças tecnológicas globais da PwC. Uma das principais iniciativas é a frente denominada "Acelerar", que reúne grupos de startups e agtechs para solucionar problemas complexos de grandes clientes.
O Papel da Inteligência Artificial
A inteligência artificial (IA) está dando um impulso poderoso à inovação no setor. Segundo Mayra Theis, um recorte da CEO Survey da PwC mostra que 33% dos CEOs do agronegócio já identificam resultados concretos decorrentes do uso da tecnologia.
Ferreira afirma que a tecnologia também está acelerando o desenvolvimento de novos produtos agrícolas. Na área de biotecnologia, processos de pesquisa que anteriormente demandavam cerca de dez anos agora poderiam ser concluídos em cinco anos ou menos, segundo ele.
A tecnologia, além de ampliar a presença de startups no ecossistema, pode aproximar mais os produtores rurais das iniciativas do hub, inclusive por meio de parcerias com cooperativas, como a Cooxupé.
Desafios do Investimento
Essa mudança ocorre em um ambiente de maior seletividade por parte dos investidores. Após a expansão do venture capital durante a pandemia e a retração posterior, as startups enfrentam exigências de retorno financeiro mais rápido.
"Hoje em dia o investidor não está apto a colocar dinheiro numa startup esperando dez anos", afirma Ferreira. Para a PwC, o grande desafio agora é transformar a capacidade brasileira de desenvolver tecnologias agrícolas em negócios internacionais recorrentes com retorno rápido.

Dirceu Ferreira Júnior e Mayra Theis, sócios da PwC Brasil, detalham próximos passos do hub





