Um em cada cinco adolescentes brasileiros já sofreu abuso sexual pela internet

Brasil Segurança 25/08/2026 07:26 Lidiane Moraes - Primeira Página primeirapagina.com.br

Estudo mostra que cerca de 3 milhões de jovens de 12 a 17 anos foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano.

Um em cada cinco adolescentes brasileiros, com idades entre 12 e 17 anos, que usam a internet já foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. O número representa cerca de 3 milhões de jovens em todo o país.

O alerta foi feito neste 24 de agosto, Dia da Infância, data criada pelo Unicef em 1995 para lembrar a importância de proteger crianças e adolescentes, inclusive no mundo digital.

  • 19% dos adolescentes que acessam a internet já sofreram abuso ou exploração sexual online.
  • 14% receberam imagens íntimas sem querer.
  • 9% receberam pedidos para enviar fotos ou vídeos íntimos.
  • 34% das vítimas não contaram a ninguém sobre o que aconteceu.
  • 49% dos casos foram cometidos por pessoas conhecidas da vítima.

Os dados são do relatório Disrupting Harm in Brazil, divulgado em março de 2026 pelo UNICEF Innocenti, em parceria com a ECPAT International e a Interpol. A pesquisa entrevistou adolescentes de 12 a 17 anos e seus pais em várias regiões do Brasil.

Entre os jovens ouvidos, 14% disseram ter recebido imagens de conteúdo sexual sem querer, 9% receberam pedidos para enviar fotos ou vídeos íntimos e 5% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca desse tipo de material.

Também foram registrados casos de ameaças de divulgação de imagens íntimas, compartilhamento sem consentimento, propostas de encontros com finalidade sexual e uso de inteligência artificial para criar conteúdos sexuais falsos.

Essas situações acontecem em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas. Os criminosos usam a tecnologia para ganhar a confiança das vítimas e depois fazem coerção, extorsão ou obtêm conteúdo sexual.

Um dado preocupante é que 34% das vítimas não contaram a ninguém o que aconteceu. Os motivos incluem vergonha, medo de não serem acreditadas e dificuldade em identificar a quem pedir ajuda. Em 49% dos casos, o abuso foi cometido por alguém conhecido.

Defensoria de MT alerta famílias

Em Mato Grosso, a Defensoria Pública reforça que a proteção das crianças e adolescentes começa com o diálogo dentro de casa, o acompanhamento das plataformas usadas e a criação de um ambiente seguro para pedir ajuda.

Os defensores públicos Geraldo Vendramini e Alysson Ourives recomendam que os responsáveis conheçam as redes sociais, aplicativos e jogos utilizados pelos jovens, verifiquem as configurações de privacidade e conversem sobre os riscos do ambiente virtual.

Eles também alertam para mudanças de comportamento, como medo, ansiedade, isolamento, abandono repentino das redes ou receio de falar com uma pessoa específica.

Em caso de suspeita ou confirmação de violência, é importante preservar mensagens, conversas, nomes de usuários, links e outros registros. Imagens de conteúdo sexual envolvendo menores não devem ser compartilhadas, pois isso aumenta a exposição da vítima.

A Defensoria Pública de Mato Grosso oferece assistência jurídica gratuita às famílias que precisam de orientação e pode atuar para garantir proteção, acolhimento e preservação dos direitos das crianças e adolescentes vítimas de violência.


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