A artista Christina Oiticica apresenta na Itália uma exposição com obras feitas junto com a natureza. A mostra acontece de setembro a outubro e reúne trabalhos cheios de espiritualidade.
A artista brasileira Christina Oiticica vai levar uma exposição para a Itália. A mostra se chama 'Quando o Céu Invade a Terra' e acontece entre setembro e outubro no Grand Hotel Majestic, perto do Lago Maggiore.
Christina nasceu no Rio de Janeiro, mas mora em Genebra. No seu trabalho, ela deixa a natureza participar da criação. Chuva, sol, vento, terra, água e sal mexem nas obras e deixam marcas únicas.
- Christina é uma artista visual que usa a natureza como parceira de criação.
- A exposição acontece na Itália, no Lago Maggiore, entre setembro e outubro.
- Uma das obras principais, 'Mamã Muxima', foi inspirada em um sonho e ficará submersa na água por três meses.
- A artista já fez trabalhos na Amazônia, nos Pirineus, na Bahia, no Japão e nas Ilhas Eólias.
- A exposição tem curadoria de Adelina von Fürstenberg e conta com obras feitas com sal, terra e água.
Ela explica: 'Percebi que meu trabalho precisava sair do estúdio. Virei parceira da natureza, e ela deixou sua marca nas minhas obras.'
A exposição na Itália tem curadoria de Adelina von Fürstenberg e do arquiteto Marcelo José Mendonça. Ela reúne vários momentos da carreira da artista.
Obra inédita nasceu de um sonho
Uma das obras mais especiais é 'Mamã Muxima', que surgiu de um sonho.
Christina sonhou que subia uma montanha com uma amiga para visitar uma igreja de Nossa Senhora da Conceição. Dentro, estava escuro, e ela só via uma figura vermelha.
'Quando acenderam as luzes, vi que era uma Nossa Senhora coberta de corações', conta.
No dia seguinte, um amigo mandou um vídeo de uma igreja no alto de uma montanha em Florianópolis, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.
Isso a inspirou a pintar a imagem com corações. Depois, ela descobriu Nossa Senhora da Conceição da Muxima, padroeira de Angola, conhecida como Nossa Senhora dos Corações.
'Assim nasceu 'Mamã Muxima'', diz.
A obra não ficou só no estúdio. Em junho, Christina colocou a tela dentro do Lago Maggiore. Ela vai ficar submersa por três meses, na Isola San Giovanni Borromeo, em frente ao hotel da exposição.
A ideia é deixar a água transformar a obra antes de mostrá-la ao público.
Natureza como coautora
O jeito de Christina trabalhar é parecido com a Land Art, onde a paisagem e os elementos naturais ajudam a fazer a arte.
Ela já fez trabalhos na Amazônia, nos Pirineus, na Bahia, no Japão e nas Ilhas Eólias.
Cada lugar muda a obra. O tempo, a terra, o vento e a água criam resultados que a artista não controla totalmente.
Isso também aparece nos trabalhos escolhidos para a mostra.
Por exemplo, 'Heart of Bahia' é uma escultura em forma de coração feita com fitas do Senhor do Bonfim.
Também tem a série 'Birth of Venus', onde Christina usa sal da Salina Ettore e Infersa, na Itália.
E ainda duas obras feitas com o artista indígena Txa Txu Pataxó. Elas ficaram enterradas por um ano sob uma gameleira em uma aldeia na Bahia.
Arte, literatura e espiritualidade
A mostra também terá ilustrações que Christina fez para o livro 'Histórias para pais, filhos e netos', de Paulo Coelho, seu companheiro há mais de 40 anos.
O nome da exposição mostra a importância da espiritualidade no trabalho dela.
'O título veio da ideia de que mudanças profundas acontecem quando o divino toca a realidade humana. As obras foram mudadas pela água, terra, sal e ar', explica.
Para ela, essa transformação não é só nos materiais.
'Quando o céu invade a terra, mudanças profundas acontecem nos corações das pessoas. E o inconsciente mexe no físico', afirma.

© Divulgação





