Os Estados Unidos vão classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. As duas facções surgiram dentro de prisões, mas têm formas diferentes de agir. O PCC age como uma empresa, de forma mais escondida. O Comando Vermelho controla territórios, como favelas. As duas brigam pelo controle do tráfico de drogas e de presídios em todo o Brasil.
Os Estados Unidos anunciaram que vão classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Isso fez com que as duas maiores facções criminosas do Brasil voltassem a ser destaque. Apesar de terem começado de forma parecida, ambas nasceram dentro de prisões, o PCC e o CV têm estruturas, estratégias e jeitos de agir bem diferentes.
O Comando Vermelho surgiu na década de 1970, no sistema prisional do Rio de Janeiro, especialmente no presídio de Ilha Grande. Com o tempo, a facção se firmou em favelas e comunidades do Rio, controlando territórios e tendo confrontos frequentes com a polícia.
- Local de origem: O PCC nasceu em São Paulo, e o CV no Rio de Janeiro.
- Forma de agir: O PCC age como uma empresa, de forma discreta. O CV usa a força para controlar territórios.
- Rivalidade: As duas facções eram aliadas, mas se tornaram rivais em 2010 e hoje disputam o controle do tráfico.
- Expansão: As duas facções se espalharam por todo o Brasil, com destaque para a região da Amazônia.
- Classificação como terroristas: Os EUA classificaram as duas facções como terroristas, aumentando a pressão internacional contra elas.
Já o Primeiro Comando da Capital foi criado em 1993, na Penitenciária de Taubaté, conhecida como "Piranhão", no interior de São Paulo. A facção surgiu durante uma partida de futebol entre presos. A ideia inicial era proteger os detentos contra abusos no sistema prisional, principalmente depois do Massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 presos foram mortos pela polícia.
Com o passar dos anos, o PCC se espalhou pelos presídios de São Paulo e passou a atuar no tráfico internacional de drogas. A facção criou rotas estratégicas, principalmente nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. Em São Paulo, o PCC se tornou a organização criminosa mais poderosa, hegemônica até hoje.
Uma das principais lideranças do PCC é Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que está preso no sistema penitenciário federal. Sob o comando dele, a facção se organizou ainda mais e foi responsável por alguns dos episódios mais graves da segurança pública no Brasil.
Em 2001, o PCC organizou a chamada "mega rebelião", que aconteceu ao mesmo tempo em dezenas de prisões de São Paulo. As cenas foram chocantes, com cabeças de pessoas penduradas e expostas na Penitenciária I de Presidente Venceslau. Cinco anos depois, em 2006, a facção fez uma série de ataques contra policiais, agentes públicos e prédios do governo, causando uma das maiores crises de segurança da história de São Paulo.
Especialistas apontam que uma das principais diferenças entre o PCC e o Comando Vermelho está na forma de exercer o poder. O CV mantém uma forte presença em comunidades e favelas, usando o controle do território como uma ferramenta para dominar o tráfico e resistir à entrada da polícia.
O PCC, por outro lado, age de forma mais escondida e empresarial. A estrutura da facção não depende do controle direto de áreas urbanas para manter suas operações. A organização foca na coordenação logística do tráfico, na gestão de rotas internacionais e na influência dentro do sistema prisional.
Essa diferença faz com que o Comando Vermelho mostre sua força ocupando áreas dominadas de forma ostensiva, enquanto o PCC prefere operar de maneira mais velada, concentrando esforços em articulações de redes criminosas e no controle dos negócios ilegais.
Durante muitos anos, PCC e CV foram aliados. No entanto, a parceria foi rompida em 2010, e a disputa se espalhou por vários estados brasileiros. O conflito passou a envolver o controle de presídios, corredores logísticos e, principalmente, as rotas do tráfico internacional de drogas.
Atualmente, a atuação das duas facções ultrapassa os limites dos estados onde surgiram. Se antes o PCC estava mais em São Paulo e o CV no Rio de Janeiro, hoje ambos expandiram suas redes criminosas para diferentes regiões do país, com destaque para a Amazônia Legal e áreas de fronteira, onde ocorrem disputas violentas pelo controle do tráfico.
Linha do tempo das facções
1970 Surgimento do Comando Vermelho no sistema prisional do Rio de Janeiro.
1992 Massacre do Carandiru deixa 111 detentos mortos em São Paulo.
1993 Fundação do Primeiro Comando da Capital (PCC).
2001 PCC coordena mega rebelião simultânea em presídios paulistas.
2006 Facção promove ataques contra forças de segurança e órgãos públicos em São Paulo.
Década de 2010 Rompimento da aliança entre PCC e Comando Vermelho amplia disputas pelo controle de rotas do tráfico e presídios.
2026 Estados Unidos anunciam a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, aumentando a pressão internacional sobre as duas facções.
Hoje, PCC e Comando Vermelho permanecem como as organizações criminosas mais influentes do Brasil, exercendo impacto direto sobre o tráfico de drogas, o sistema penitenciário e a segurança pública em diversas regiões do país.
*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

Marcola





