Fim da jornada 6x1 divide opiniões entre trabalhadores e empresários

Economia Jornada 28/05/2026 16:23 Pedro Peduzzi agenciabrasil.ebc.com.br

A Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que acaba com a escala de trabalho de 6 dias de trabalho por 1 de descanso. A medida é comemorada pelos trabalhadores, mas criticada por empresários e indústrias, que temem aumento de custos e preços. Agora, o projeto vai para o Senado.

O fim da jornada 6x1 aprovada pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (27) repercutiu de forma distinta entre entidades representativas de trabalhadores e do setor patronal. Enquanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a medida como vitória histórica da classe trabalhadora, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a proposta como inadequada e inoportuna.

A CUT diz que essa conquista é resultado da união dos sindicatos, da pressão dos movimentos sociais e da conversa direta com os deputados. Eles comemoram muito e pedem que os trabalhadores continuem firmes para que o Senado também aprove a mudança.

  • A escala 6x1 significa trabalhar seis dias seguidos e descansar apenas um.
  • A Câmara dos Deputados aprovou o fim dessa escala na quarta-feira (27).
  • A CUT, que representa os trabalhadores, comemorou a decisão como uma grande vitória.
  • A CNI, que representa as indústrias, é contra e acredita que vai aumentar os custos das empresas.
  • Agora, a proposta precisa ser aprovada pelo Senado para virar lei.

A CNI, por outro lado, acredita que essa mudança, se não for feita com cuidado, pode aumentar os custos das empresas e fazer os preços subirem, prejudicando os empregos e a economia.

A confederação defende que o assunto seja tratado com calma e responsabilidade, pensando nos efeitos para trabalhadores, empresas e consumidores, e não apenas por causa das eleições.

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a votação foi movida por interesses eleitorais e é um grande passo para trás, pois anula anos de acordos entre patrões e empregados. Eles dizem que a medida quebra contratos e vai contra a segurança jurídica.

Outras centrais sindicais, como a Força Sindical e a UGT, também comemoraram. Elas agradeceram o apoio do governo federal e do presidente Lula, dizendo que a nova jornada vai melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, dando mais tempo para a família, a saúde e o lazer. Elas lembram que em outros países essa mudança já deu certo, aumentando a produtividade e gerando empregos.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vania Marques, disse que a aprovação é o reconhecimento de que ninguém deve viver só para trabalhar. Para ela, reduzir a jornada sem cortar o salário é uma forma de mostrar que o desenvolvimento não pode ser medido pelo cansaço dos trabalhadores. Ela pede que o Senado confirme esse avanço.

Já no agronegócio, a reação foi contrária. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) calcula que a medida pode gerar um custo extra de R$ 4,1 bilhões para o setor no estado, por causa de salários e encargos. Eles reclamam que a proposta não considerou as diferenças de cada atividade, especialmente no campo, onde em certas épocas o trabalho é intenso para não perder a safra.

A entidade critica o prazo curto para se adaptar e defende que a mudança pode prejudicar a competitividade do agro e a economia, pedindo mais diálogo com o setor produtivo.


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