O governo federal está criando um empréstimo especial para motoqueiros que trabalham como entregadores. Para conseguir o dinheiro, a pessoa precisa trabalhar para uma plataforma, como o iFood, há pelo menos seis meses. O governo quer ajudar esses trabalhadores a comprar ou trocar de moto e pode até usar um fundo especial para garantir o pagamento se alguém não conseguir pagar as parcelas. O presidente Lula quer anunciar essa novidade ainda este mês.
Depois dos motoristas de aplicativos, o foco do governo federal agora são os motociclistas entregadores, que devem ter acesso a uma linha de crédito em condições facilitadas para comprar ou substituir motos. Segundo técnicos a par das discussões, para receber o financiamento será preciso que esses trabalhadores prestem serviço para uma plataforma, com iFood, por exemplo, por pelo menos seis meses.
- O governo quer ajudar motoqueiros entregadores a comprar ou trocar de moto com juros mais baixos
- Para conseguir o empréstimo, é preciso trabalhar para um aplicativo (como iFood) por no mínimo seis meses
- O governo pensa em usar um fundo garantidor (FGO) para cobrir se alguém não pagar as parcelas
- Motos elétricas, que custam entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, também podem ser compradas com esse dinheiro
- O presidente Lula quer anunciar essa novidade ainda este mês de junho
Para reduzir os juros e diante do risco de inadimplência decorrente do perfil desses trabalhadores, informais e com baixa remuneração, o governo estuda usar recursos de um fundo garantidor para cobrir eventuais calotes. O Fundo de Garantia de Operações (FGO) pode ser uma alternativa.
Também está em discussão a cobrança de um seguro. Os bancos alegam dificuldade de recuperar esse tipo de bem em caso de calote, diferentemente de carros.
A exigência de estar conveniado a uma plataforma tem por objetivo permitir o desconto da parcela do empréstimo na remuneração a ser creditada na conta bancária do trabalhador.
Público potencial
Técnicos estimam que há um público potencial entre 700 mil a 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O valor médio da moto é de R$ 17.800, bem abaixo do custo de um carro. O programa do governo chamado Move Aplicativos financiou até R$ 150 mil.
A ideia é que os recursos também possam ser usados para a compra de motos elétricas, que custam entre R$ 8 mil e R$ 9 mil, e não haverá exigência do fabricante ser uma empresa nacional.
A medida ainda depende de ajustes finais, mas o presidente Lula tem pressa e quer anunciar o financiamento ainda este mês, no rol de pacote de bondades no ano eleitoral.

Motos na Avenida Rei Pelé: governo estuda usar recursos de um fundo garantidor para cobrir eventuais calotes Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo





