Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre produtos do Canadá, como carros e laticínios. O presidente Trump usa essas taxas para forçar reindustrialização, arrecadar dinheiro e pressionar outros países. O Brasil, em vez de negociar, prefere reclamar de 'imperialismo', perdendo chances de acordo.
Os Estados Unidos anunciaram tarifas de 50% contra o Canadá para vários produtos, como carros e laticínios. Essa ação mostra que o protecionismo não é coisa só do Brasil. Na verdade, Trump está taxando até países que são aliados históricos dos americanos.
O atual presidente dos EUA defende tarifas protecionistas desde os anos 80. Ele vê as tarifas como uma arma poderosa para: aumentar a arrecadação de impostos sobre importações e diminuir o déficit fiscal; trazer indústrias de volta para os EUA, fazendo a produção fora do país ficar mais cara; enfraquecer a economia da China, que exporta para os EUA usando outros países; e ganhar vantagem em negociações sobre outros temas, como terras raras e propriedade intelectual.
- Os EUA taxaram o Canadá em 50% em produtos como carros e laticínios.
- Trump quer usar as tarifas para trazer fábricas de volta para os Estados Unidos.
- O Brasil é um dos países mais protecionistas do mundo, com impostos altos para importar.
- O governo brasileiro prefere reclamar de 'imperialismo' a negociar com Trump.
- Setor privado brasileiro já conseguiu algumas vantagens nas negociações diretas com os EUA.
Independentemente de o protecionismo de Trump funcionar ou não, é preciso entender que ele joga pesado, mas está disposto a negociar. O governo brasileiro não entende isso ou finge não entender. Em vez de ceder em alguns pontos do protecionismo da indústria nacional e da cooperação em investimentos em terras raras, o governo prefere um discurso político fácil, usando a narrativa de ataque à soberania e o clichê do 'imperialismo americano'.
É claro que há exageros na acusação americana sobre o PIX e o desmatamento. Mas é preciso reconhecer que o Brasil ainda é uma economia extremamente protecionista, com tarifas altas, e que falta segurança jurídica em relação à propriedade intelectual e capacidade de refino de terras raras.
Mais uma vez, por mesquinharia política e ideológica, perdemos a oportunidade de avançar nas negociações com os EUA. Resta contar com a conversa do setor privado brasileiro, que conseguiu importantes exceções tarifárias, e com a inflação americana para fazer Trump mudar de ideia.

Presidente dos EUA, Donald Trump - SAUL LOEB / AFP





