Inflação faz disparar o número de furtos nos EUA, aponta pesquisa

Economia Inflação 27/07/2026 08:30 Eliseu Caetano, Jovem Pan jovempan.com.br

Nove em cada dez entrevistados disseram que a inflação e a situação econômica os levaram a cometer furtos em lojas nos Estados Unidos.

Uma pesquisa feita pela plataforma financeira LendingTree mostra que o número de americanos que admitem ter furtado produtos em lojas cresceu muito nos últimos dois anos.

O levantamento, feito com 2 mil adultos nos Estados Unidos entre os dias 2 e 11 de junho de 2026, mostra que 30% dos entrevistados disseram já ter furtado em lojas, contra 23% registrados em 2024.

  • 30% dos entrevistados admitem já ter furtado em lojas, um aumento em relação aos 23% de 2024
  • 9 em cada 10 pessoas que furtaram disseram que a inflação e a economia foram as causas
  • Os jovens são os que mais admitem furtar: 39% da Geração Z e 38% dos millennials
  • Os itens mais furtados são alimentos, roupas e produtos de higiene, não eletrônicos
  • Mais da metade dos que furtaram nunca foram pegos, e muitos esqueceram de pagar sem querer

Mais do que o aumento da prática, o estudo quis entender os motivos que levam parte da população a roubar em lojas. A resposta mais comum foi a pressão econômica que as famílias americanas estão enfrentando.

Economia é o principal motivo

Entre os que disseram ter furtado algum produto no último ano, nove em cada dez afirmaram que a inflação e a situação econômica influenciaram diretamente essa decisão.

Os Estados Unidos tiveram, nos últimos anos, um aumento grande no custo de vida. A inflação diminuiu em relação ao pico após a pandemia, mas os preços de alimentos, moradia, seguros, medicamentos e outros itens básicos continuam altos para milhões de famílias.

Segundo a pesquisa, além da inflação, os entrevistados disseram que as razões são: dificuldades financeiras, produtos considerados muito caros, necessidade de fechar o orçamento mensal e tentativa de economizar dinheiro.

Os resultados sugerem que, para parte da população, o furto deixou de ser apenas um crime de oportunidade e passou a ser visto como consequência das dificuldades econômicas. Especialistas, no entanto, lembram que problemas financeiros ajudam a explicar parte do fenômeno, mas não justificam a prática, que continua sendo crime em todos os estados americanos.

Jovens lideram os furtos

A pesquisa também mostra diferenças importantes entre as gerações. Os maiores índices aparecem entre os mais jovens: 39% da Geração Z afirmam já ter furtado em lojas, 38% dos millennials, 24% da Geração X e 18% dos baby boomers.

Os pesquisadores observam que consumidores mais jovens tendem a admitir esse tipo de comportamento com mais frequência, embora isso não signifique que eles furtem mais do que as outras gerações.

Furto de alimentos é o mais comum

Ao contrário do que muitos pensam, os itens mais furtados não são eletrônicos ou produtos de luxo. A pesquisa aponta que os produtos básicos são os principais alvos.

Entre eles estão: alimentos e bebidas não alcoólicas, roupas, acessórios e joias, e produtos de higiene pessoal.

Esse resultado reforça a ideia de que parte desses furtos está ligada ao aumento do custo de itens essenciais. Os estabelecimentos com esses produtos aparecem no topo da lista. Os entrevistados disseram que os furtos acontecem principalmente em supermercados, lojas de descontos (dollar stores) e grandes lojas de departamento.

Quando perguntados sobre quais redes seriam mais fáceis para furtar, muitos citaram Walmart, Family Dollar, Amazon Fresh, Kroger e Costco. A pesquisa destaca que essa informação é apenas a percepção dos entrevistados e não uma avaliação da segurança dessas empresas.

Impunidade é comum

Outro dado curioso é que mais da metade das pessoas que admitiram ter furtado disse que nunca foi pega. Entre aqueles que foram pegos, as consequências variaram: advertência verbal, proibição de voltar à loja, multas ou prisão.

As punições dependem da lei de cada estado, do valor da mercadoria e do histórico do suspeito.

Esquecimento também acontece

A pesquisa diferenciou os furtos intencionais das situações em que os consumidores saem da loja sem pagar por engano. Segundo o levantamento, 37% dos americanos disseram já ter saído de uma loja com um produto sem perceber.

Entre essas pessoas, 58% disseram que voltaram depois para devolver o item ou pagar por ele. O aumento dos furtos é uma das principais preocupações do setor varejista americano.

Grandes redes estão investindo em tecnologias de prevenção, como câmeras com inteligência artificial, sistemas eletrônicos de proteção, caixas de autoatendimento monitoradas e vitrines trancadas para produtos de maior valor. Algumas empresas também reduziram o número de caixas de autoatendimento ou passaram a restringir produtos mais vulneráveis ao furto.

Além das perdas financeiras diretas, os furtos aumentam os custos operacionais das empresas, o que pode ser repassado ao consumidor com preços mais altos.

Pesquisa mede percepção

É importante destacar que o estudo da LendingTree não representa dados oficiais sobre criminalidade. Os números refletem respostas dos próprios entrevistados e, portanto, medem o comportamento declarado, não registros policiais.

Ainda assim, o levantamento mostra como parte da população americana vê o impacto da inflação e das dificuldades financeiras no dia a dia, além de revelar como essas condições podem influenciar comportamentos de consumo.

Enquanto economistas acompanham a evolução do custo de vida e varejistas reforçam seus sistemas de segurança, o crescimento do número de pessoas que admitem ter furtado em lojas levanta um debate cada vez mais presente nos Estados Unidos: até que ponto a pressão econômica pode mudar o comportamento dos consumidores e quais políticas públicas e privadas podem reduzir esse tipo de ocorrência.


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