Senado aprova fim da escala 6x1: veja quando muda sua vida

Economia Trabalho 15/10/2026 15:11 Vitor Abdala/Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Rio de Janeiro RJ

Trabalhadores brasileiros poderão descansar dois dias por semana após a aprovação da PEC 221/2019, que também reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em etapas.

Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, é mãe de duas crianças e trabalha como garçonete no centro do Rio de Janeiro. Ela trabalha de segunda a sábado, na chamada escala 6x1. Isso significa que ela só tem o domingo de folga. Para ela, esse único dia é essencial para cuidar da casa e da família, mas acaba se sentindo perdida e sobrecarregada. "Nessa escala 6x1, eu só tenho o domingo de folga, né É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!".

Desde que saiu da adolescência, há quase dez anos, Adrielle não lembra de ter tido dois dias de folga seguidos na semana. Ela conta que, quando precisa resolver assuntos mais complexos, como levar os filhos ao médico, não consegue fazer isso no domingo, pois as consultas geralmente acontecem nos dias úteis. Assim, ela precisa faltar ao trabalho no meio da semana e sofre um desconto em seu salário por esse dia de ausência.

  • O que muda: A nova regra garante 2 dias de folga por semana.
  • Jornada de trabalho: Reduz de 44 para 42 horas, depois de 40 horas semanais.
  • Quando vale: As novas regras entram em vigor 60 dias após a aprovação final.
  • Apoiamento popular: 73% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1.
  • Saúde: O descanso extra deve melhorar o bem-estar físico e mental dos trabalhadores.

Impacto na qualidade de vida

Adrielle representa milhões de brasileiros que enfrentam jornadas exaustivas de seis dias de trabalho por semana. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 pelo Senado Federal na quarta-feira (14) trouxe esperança. Muitos trabalhadores veem na mudança uma chance real de ganhar tempo livre para descansar, passar mais tempo com a família, estudar ou cuidar da própria saúde. Uma pesquisa realizada em fevereiro de 2026 pela Nexus indicou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1.

Yasmin Nascimento, auxiliar administrativa em uma clínica, também trabalha na escala 6x1. Ela foi entrevistada pela Agência Brasil em uma manhã de quinta-feira, enquanto aguardava um mototáxi para ir ao trabalho. Yasmin expressou sua satisfação com a aprovação da PEC, destacando que o tempo livre é direito do trabalhador. "É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada".

Trocas de rotina e saúde

Cristiane Wandermuren, de 56 anos, trabalha como ajudante de cozinha no Rio de Janeiro. Ela também passou a vida profissional com apenas um dia de folga por semana, tendo exercido antes o cargo de auxiliar de serviços gerais. "Se eu tivesse mais um dia, eu iria cuidar da minha saúde, curtir mais os meus netos. Hoje tenho pouco tempo para minha família", lamenta. Cristiane explica a dificuldade logística: "Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico Médico a gente normalmente vai no meio da semana... Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde".

Simone Cunha de Oliveira trabalhou por 15 anos na escala 6x1, mas, há algum tempo, mudou para uma escola, onde passou a ter duas folgas semanais. Ela afirma que a qualidade de vida melhorou significativamente. "A qualidade de vida é bem melhor, você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições", relata. Simone torce para que sua irmã, vendedora de automóveis, também possa se livrar da escala 6x1, temendo os efeitos do trabalho excessivo na saúde: "Eu só posso vê-la no domingo. Espero que a mudança na lei melhore principalmente a saúde das pessoas. As pessoas estão ficando doentes de tanto trabalhar. Que elas tenham o descanso que merecem".

Depoimentos de quem já se aposentou

Maria Antônia de Carvalho, de 63 anos, precisou se aposentar para conseguir mais descanso. "Eu trabalhei na 6x1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Eu não tinha tempo para nada. Não dava mesmo. Quando você pensava que ia descansar, no outro dia você já estava trabalhando de novo. Agora ficou maravilhoso, porque eu tenho mais tempo para mim, para minha família".

Luciana Machado, de 65 anos, também trabalhou seis dias por semana durante quase toda a vida. Apenas após a aposentadoria, ela passou a trabalhar na escala 5x2, mas relata que precisava estender suas horas de trabalho nos dias úteis para compensar a folga no sábado. "Com essa nova escala, tenho receio de que a pessoa tenha que aumentar o horário de trabalho durante a semana, como aconteceu comigo. Também pode ser que o funcionário perca dinheiro trabalhando um dia a menos", afirma.

Regras de transição e horários

De acordo com o texto aprovado pelo Senado, Luciana não precisa se preocupar com o aumento da carga horária, pois a lei determinará a nova escala. As empresas terão que garantir a escala 5x2 (cinco dias de trabalho, dois de descanso) e a redução da jornada de 44 para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Assim, caso a PEC seja promulgada ainda em outubro, as regras entrarão em vigor em dezembro de 2026. Após essa primeira redução, a jornada cairá para 40 horas semanais 12 meses depois, completando a transição em 14 meses. Uma exceção existe para trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão uma regra de transição diferenciada.

  • Escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
  • Redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias);
  • Jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5x2 (em 14 meses).

Como serão calculadas as horas

Entre o segundo e o décimo quarto mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir as duas horas acima das oito normais de serviço ao longo da semana. Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias da semana. Ao final da fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais, em cinco dias na semana. Para trabalhar mais horas, será necessário pagamento de hora-extra. A proposta prevê que uma lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.


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