Dólar cai e dá trégua aos brasileiros após alta nos últimos dias

Economia Câmbio 16/10/2026 14:01 Estadao Conteudo | Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br Brasília DF

A moeda americana recuou na abertura desta sexta-feira (16), devolvendo parte dos ganhos acumulados nas três sessões anteriores. A queda é puxada por sinais de que os juros nos EUA podem ser mantidos e pela expectativa de um resultado equilibrado nas eleições presidenciais no Brasil, com Lula e Flávio Bolsonaro disputando voto a voto.

O dólar à vista começou a cair nesta sexta-feira (16), seguindo a tendência de enfraquecimento da moeda americana no resto do mundo. Com isso, o valor da moeda devolveu uma parte do aumento que havia acumulado de 2,04% nas últimas três semanas de negociação. Perto das 9h13, na abertura dos mercados, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 5,0791, representando uma queda de 0,15%.

Na sessão anterior, o dólar havia subido 1,15%, fechando a R$ 5,0868. Esse aumento ocorreu mesmo com a queda do DXY (índice do dólar nos EUA), refletindo a cautela dos investidores diante do cenário eleitoral e fiscal no Brasil. No entanto, olhando para o mês de outubro, a moeda ainda acumula uma baixa de cerca de 1,90% frente ao real.

  • O dólar caiu nesta sexta após três dias seguidos de alta no Brasil.
  • Investidores apostam que o Fed (banco central dos EUA) manterá os juros altos em outubro.
  • Novas pesquisas mostram Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente nas eleições.
  • Propostas caras, como tarifa zero de ônibus e fim da escala 6x1, preocupam o mercado.
  • Indicador de produção do Brasil (IBC-Br) superou expectativas no mês de agosto.

Cenário externo e juros nos EUA

Olhando para o exterior, o índice DXY (medida do dólar contra outras moedas fortes) está no nível mais baixo em duas semanas. Isso acontece porque o mercado aumentou as apostas de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, vai manter os juros atuais na reunião de outubro. As probabilidades subiram de 72,3% para 85,1% após declarações de Kevin Warsh, dirigente do Fed, que pediu cautela. Ele destacou que o banco central precisa reavaliar a situação antes de decidir sobre os juros em outubro e dezembro, apontando incertezas sobre como a inteligência artificial afeta o emprego, a inflação e a estabilidade financeira. Apesar da chance de manutenção agora, o mercado já precifica aumentos de juros nos meses seguintes.

Além dos juros, o preço do petróleo está pressionando os mercados. Riscos no Estreito de Ormuz e tensões no Mar Negro estão alimentando medos de alta inflação. Isso contribui para o aumento dos rendimentos dos títulos de dívida americana (Treasuries) de longo prazo, o que limita a queda do dólar. Ou seja, embora haja alívio com os juros, os preços altos da energia continuam sendo um problema.

Disputa eleitoral acirrada no Brasil

No Brasil, o cenário eleitoral segue muito próximo. Pesquisas do Datafolha e do PoderData/Aya confirmaram uma disputa presidencial acirrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Datafolha, Flávio aparece com 47% das intenções de voto totais, enquanto Lula tem 45%. Se considerarmos apenas os votos válidos (descontando brancos e nulos), a diferença é de 51% a 49%, o que está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Isso significa que, estatisticamente, há empate técnico.

O instituto PoderData/Aya mostrou empate técnico de 50% a 50% nos votos válidos. Em apenas duas semanas, a distância entre os candidatos caiu de seis pontos percentuais para zero. Esse quadro, também indicado por outras pesquisas como Quaest e Indexa, mantém a incerteza eleitoral. Embora a confirmação de uma disputa equilibrada não seja necessariamente uma surpresa total para os mercados, essa incerteza pode limitar a queda acentuada do dólar, pois os investidores preferem saber quem vai governar antes de tomar grandes decisões.

Preocupações com contas públicas e dados econômicos

Além das eleições, as preocupações com as finanças públicas continuam no radar dos investidores. Um ponto de atenção é a proposta de tarifa zero no transporte público, que teria um custo estimado entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões por ano. Outro fator relevante é a aprovação da lei que acaba com a escala de trabalho 6x1 (trabalhar seis dias e descansar um), o que aumenta custos para as empresas.

Nesta sexta-feira, os investidores também acompanham a divulgação de dados importantes. Há a pesquisa CNT/MDA, a entrevista de Flávio Bolsonaro à Rede Globo à noite e a divulgação da produção industrial dos Estados Unidos às 10h15. No Brasil, o IBC-Br de agosto (um indicador que serve de referência para o PIB), subiu 0,3%. Esse resultado ficou acima da mediana das estimativas, que era de 0,12%, revertendo a queda de 0,22% registrada em julho. O bom resultado sugere que a economia brasileira está mostrando sinais de recuperação, o que é um ponto positivo para a confiança dos investidores no longo prazo.


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