Cosan desiste de vender Rumo e busca saída para dívida

Economia Negociação 21/10/2026 14:46 Italo Bertão Filho | Agfeed agfeed.com.br

A Cosan, grupo de Rubens Ometto, encerraram as negociações para vender sua fatia na Rumo Logística sem acordo. Com dívida de R$ 9,2 bilhões, a empresa agora foca na venda de participação na Compass e em outras medidas para reduzir dívidas, impactando o mercado financeiro e o setor logístico brasileiro.

Após meses de conversas exclusivas com investidores para vender parte de sua participação na Rumo Logística, a Cosan informou ao mercado nesta terça-feira, 20 de outubro, que o período de negociação terminou sem que houvesse um acordo final.

Em comunicado oficial à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a holding controlada por Rubens Ometto declarou que não obteve qualquer acordo que fosse estrategicamente e comercialmente adequado para a venda de qualquer fração de sua participação.

  • A Cosan não chegou a um acordo para vender sua fatia na Rumo Logística.
  • A dívida líquida da holding é de R$ 9,2 bilhões, reduzida de R$ 23,5 bilhões no fim de 2024.
  • Trabalhos de venda de 20% da Compass, braço de gás do grupo, avançam com investidor estrangeiro.
  • Acos de Cosan subiram de R$ 3,13 para R$ 5,27 após os anúncios de reestruturação.
  • A Raízen, empresa de açúcar e álcool do grupo, buscou recuperação extrajudicial para dívidas de R$ 61,4 bilhões.

Busca por alternativas estratégicas

Apesar do impasse com a Rumo, a Cosan afirmou que continua avaliando outras opções em todos os seus ativos para otimizar sua estrutura de capital, mantendo-se comprometida com a geração de valor para seus acionistas. A empresa garantiu que manterá o mercado e seus investidores atualizados sobre o andamento das decisões.

Transferência para fundo de investimento

Na semana anterior, a Cosan havia anunciado que seu conselho de administração aprovou, no início de outubro, a transferência de 20,33% das ações da Rumo para o Maglev Fundo de Investimento em Participações (FIP). Este fundo terá gestão do BTG Pactual e a própria Cosan será sua única cotista inicial. Essa manobra visa facilitar futuras negociações, permitir a entrada de novos investidores no fundo ou viabilizar operações financeiras específicas com as ações.

Enfoque na venda da Compass

Com as conversas sobre a Rumo encerradas, a Cosan está agora direcionando seus esforços para a venda de 20% de sua subsidiária de gás natural, a Compass, para um investidor estrangeiro, conforme revelado pela colunista Mônica Scaramuzzo do portal UOL. As tratativas para essa venda já estariam em estágio avançado, oferecendo uma nova via para a injeção de caixa na holding.

Desentendimentos com potenciais compradores

A Cosan já havia sinalizado publicamente em junho e agosto de 2026 que avaliava alternativas para a Rumo, contando com assessoria do banco BTG Pactual. No entanto, o conglomerado nunca revelou quais empresas estariam na mesa. Segundo o UOL, grandes tradings como Bunge e Cofco chegaram a negociar, mas as exigências impostas pela Cosan e pelo BTG Pactual teriam travado as conversas, desanimando possíveis compradores da operação.

Redução de endividamento do grupo

O grupo Rubens Ometto enfrenta desafios financeiros há anos e tem realizado a venda de ativos para reduzir seu alto nível de dívidas. No segundo trimestre de 2026, a dívida líquida expandida era de R$ 9,2 bilhões, uma queda significativa em relação aos R$ 23,5 bilhões registrados no final de 2024. Essa estratégia de enxugamento afetou diretamente a Raízen, o principal ativo do grupo, que já vinha passando por dificuldades.

Plano de recuperação da Raízen

Mesmo após vender várias usinas e reduzir suas operações, a Raízen não encontrou outra saída e buscou a recuperação extrajudicial. O plano foi homologado pela Justiça paulista em junho de 2026 para renegociar dívidas que somavam R$ 61,4 bilhões. A medida foi crucial para equilibrar os números da subsidiária de energia e açúcar.

Venda de terras da Radar

Outros negócios do grupo também foram reduzidos para sustentar o plano de reestruturação da Cosan. A Radar, empresa de imóveis rurais em parceria com a gestora americana Nuveen, vendeu 12% de suas terras no Mato Grosso em junho. O lote de 41.214 hectares foi adquirido pelo grupo SLC Agrícola, Bom Futuro e pelo produtor Alexandre Jacques Bottan por R$ 1,85 bilhão.

Reação positiva do mercado

Apesar da situação financeira ainda delicada do grupo, as ações da Cosan têm reagido de forma positiva nos últimos meses. As cotas, que atingiram o piso de R$ 3,13 em agosto, fecharam a terça-feira cotadas a R$ 5,27, o que representa uma alta de 3,13% no dia. No acumulado do ano, os papéis apresentam uma leve valorização de 0,38%, sinalizando confiança gradual do mercado na recuperação do conglomerado.


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