Enem 2026: Como dominar a prova de Linguagens com foco em interpretação

Educação Enem 12/10/2026 08:31 Oussama El Ghaouri - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Brasília DF

Com o Enem 2026 se aproximando, especialistas destacam que a interpretação de textos é a chave para a prova de Linguagens. Veja dicas práticas de professores para revisar literatura, inglês e espanhol com sucesso.

Compreender o sentido dos textos é tão fundamental quanto conhecer as regras gramaticais na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, que ocorre no primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para 8 de novembro. Esta habilidade é a base da avaliação e exige atenção redobrada dos estudantes.

  • A matriz de referência do Enem para Linguagens é estável há mais de 15 anos, permitindo que candidatos estudem provas antigas com alta eficácia.
  • A estratégia recomendada por professores é ler primeiro o comando da questão (o que está sendo perguntado) e depois o texto, para focar na informação relevante.
  • Em Literatura, o foco deve ser a relação entre o contexto histórico e as obras, especialmente Modernismo, Realismo e literatura contemporânea que aborda pautas sociais.
  • No Inglês, a avaliação vai além do vocabulário, incluindo a interpretação de imagens, diagramas e situações cotidianas, além da presença de poemas.
  • No Espanhol, atenção especial aos "falsos cognatos", palavras que têm aparência semelhante no português, mas significados diferentes, como "esquisito" (que em espanhol significa requintado).

Uma das formas mais eficientes de se preparar é resolver questões de edições anteriores, prestando atenção nos comandos e nos contextos que envolvem os assuntos. O professor Eduardo Calbucci explica que as habilidades avaliadas em Linguagens seguem um histórico consolidado e previsível, o que dá segurança ao estudante que pratica com o passado.

A previsibilidade da matriz de referência

"O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande". Essa consistência permite que os candidatos saibam exatamente o que será cobrado, reduzindo a ansiedade da última hora.

A primeira orientação que a gente dá aos alunos é estudar provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos.

O professor Eli Carlos Guimarães define que a espinha dorsal da prova é a leitura e a interpretação de texto. Para ele, a variação de assuntos não altera a natureza da habilidade exigida, que é constante ao longo das décadas.

"Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível".

Estratégias de leitura durante a prova

Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, o grande volume de leitura nas questões é um dos principais desafios da avaliação. A quantidade de informação pode ser sobrecarregante para quem não está treinado.

"Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada".

O professor Eli concorda com Pedro e detalha que a melhor estratégia para a prova é ler primeiro o comando da questão, que fica abaixo do texto. Isso direciona a leitura e evita perda de tempo.

Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias.

Na reta final, o professor recomenda revisar funções da linguagem, variação linguística e coesão textual, com foco em conectores, como "contudo", "portanto" e "embora", entendendo como as palavras se articulam para construir o sentido do texto.

O que cai em Literatura

O mais importante é compreender as relações entre o contexto histórico, as ideias de uma época e as características das obras literárias, os temas. O professor exemplifica que o contexto do modernismo brasileiro e da Semana da Arte Moderna de 22 ajuda a entender a busca por novas formas de expressão que marcaram a época.

Entre os conteúdos e autores que merecem revisão, Eli destaca:

Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena.

Língua estrangeira: Inglês e Espanhol

No Inglês, é preciso ir além da leitura tradicional de textos, como explica o professor Tiago Gentil. A avaliação contemporânea do idioma requer uma visão mais ampla do que simplesmente vocabulário.

"O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito".

Segundo Gentil, poemas em Inglês têm aparecido nas edições mais recentes do exame, o que exige uma adaptação do estudante para lidar com textos poéticos em inglês.

Em Espanhol, um dos cuidados é com os falsos cognatos: palavras parecidas nos dois idiomas, mas com significados diferentes. Esse é o alerta do professor Júlio Manuel Sanchez Tello, que aponta uma das armadilhas mais comuns para brasileiros.

Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa.

O professor comenta que a estrutura da prova de Espanhol costuma incluir dois ou três textos em espanhol e cinco questões em português, fundamentalmente para interpretação. A gramática pura tem peso mínimo.

Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima.


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