Estudantes da Escola Estadual Heronides Araújo, em Barra do Garças, desenvolveram pomadas fitoterápicas usando plantas locais, unindo saberes tradicionais, matemática e educação ambiental com apoio da Fapemat.
Na Escola Estadual de Campo Heronides Araújo, localizada em Barra do Garças, os alunos estão transformando o conhecimento tradicional sobre plantas do Cerrado em projetos de pesquisa e aprendizado prático. O projeto, chamado Pomadas Fitoterápicas do Cerrado Mato-Grossense, investiga o uso de espécies nativas da região para a criação de seis tipos diferentes de pomadas naturais. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
De acordo com Eugênio Marcos de Sousa, diretor da escola, o trabalho foca na produção de pomadas com diferentes funções. Elas podem ser usadas para cuidar da pele, aliviar dores musculares, proteger contra insetos e, inclusive, inspiram produtos tradicionais para cuidados respiratórios.
- O projeto é realizado em uma escola de campo a 110 km do centro da cidade.
- Seis tipos de pomadas naturais são produzidos pelos alunos.
- A matemática é aplicada na medida de ingredientes em gramas e mililitros.
- O projeto é financiado pela Fapemat, fundação estadual de pesquisa.
- As plantas utilizadas incluem folhas e raízes do Cerrado, além de cera de abelha.
Unindo sabedoria popular e ciência
O projeto também abrange formulações destinadas aos cuidados com os cabelos e à cicatrização de ferimentos. Para a composição, os alunos utilizam partes específicas das plantas, como folhas e estruturas subterrâneas (raízes e caules), combinando-as com cera de abelha. Como destaca o diretor, a experiência vai além do contato com a flora local: os estudantes reconhecem a importância dos saberes que fazem parte do dia a dia de suas famílias. Para a escola, que fica a 110 quilômetros do centro urbano, a iniciativa é uma forma de valorizar esses conhecimentos e transformá-los em práticas reais, unindo a sabedoria popular ao conhecimento científico.
Eugênio reforça que a experiência consolida a escola como um espaço de pesquisa, inovação e valorização da identidade da comunidade onde está inserida.
Matemática e empreendedorismo na prática
O aprendizado não se limita apenas às plantas. Durante a elaboração das pomadas, os alunos aplicam conteúdos que estudam em sala de aula. Fabiane Borges de Souza, professora de Matemática e responsável pelo projeto, explica que a produção exige o uso de pesos, medidas, quantidades exatas em gramas e mililitros, além de proporções e cálculos. Isso torna os conceitos matemáticos mais próximos da realidade e do cotidiano dos estudantes.
Para Fabiane, a atividade também estimula a autonomia, a criatividade, a responsabilidade e o espírito empreendedor. O objetivo é oferecer experiências práticas que contribuam para a formação integral dos alunos e que despertem novos interesses, inclusive para futuras escolhas de carreira.
A educadora ressalta que, ao reunir biodiversidade, conhecimentos tradicionais e conteúdos escolares, o projeto incentiva a reflexão sobre o uso responsável dos recursos naturais e a preservação ambiental. O trabalho demonstra como a educação científica pode dialogar com a cultura regional, ampliando as possibilidades de aprendizagem.
Veículos da inovação escolar
O envolvimento dos estudantes mostra como a pesquisa ganha significado quando parte da realidade em que eles vivem. Yasmin Lorraine Queiroz Nero, aluna do 8º ano, destaca a conexão entre a natureza e o conhecimento: "O projeto valoriza a riqueza do Cerrado e mostra como as plantas podem inspirar novas formas de aprendizagem e inovação dentro da escola".
Gabrielle Mutzenberg Moraes, do 2º ano do Ensino Médio, ressalta a relação entre o uso dos recursos naturais, o cuidado e o bem-estar: "A iniciativa mostra que cuidar dos recursos naturais também é cuidar do nosso bem-estar. É uma forma de unir conhecimento, natureza e inovação".
Já Marcela Matos Luz Vieira, do Ensino Fundamental, destaca a experiência de aprender a valorizar as plantas do Cerrado e reconhecer a escola como um espaço de criação e descoberta: "Aprender a valorizar as plantas do Cerrado é muito legal. Nossa escola se tornou um lugar para criar e descobrir coisas novas".

Cerrado (IA)





