Barulho de barcos atrapalha a conversa dos peixes nas praias

Geral Poluição 21/07/2026 07:51 Redação Digital, Canal Rural canalrural.com.br

Uma pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco descobriu que o barulho de barcos, jet skis e até de banhistas está atrapalhando a comunicação dos peixes. O estudo, feito em praias de Pernambuco, mostrou que os peixes deixam de fazer sons importantes para se alimentar, se reproduzir e defender seu território por causa da poluição sonora causada pelo turismo.

Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) descobriu que o barulho de barcos, parapentes e banhistas atrapalha a conversa entre os peixes em praias turísticas de Pernambuco. A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (20) na revista científica Neotropical Ichthyology, mostra que a poluição sonora atrapalha a alimentação, a reprodução e a defesa do território dos peixes que vivem nos recifes.

  • O barulho dos turistas (barcos, jet skis e banhistas) faz os peixes se calarem.
  • Três tipos de sons de peixes deixaram de ser ouvidos nas áreas mais movimentadas.
  • Os peixes usam os sons para se alimentar, namorar e espantar rivais.
  • A pesquisa foi feita em duas praias de Pernambuco, com 80 horas de gravação.
  • Os cientistas sugerem criar regras para barcos e limitar o turismo perto dos recifes.

A pesquisa foi feita nas praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, e de Tamandaré, na APA Costa dos Corais. Os pesquisadores gravaram os barulhos feitos por pessoas e, ao mesmo tempo, os sons emitidos pelos peixes em pontos perto da costa e em áreas protegidas por recifes.

Como o estudo foi feito

As gravações duravam dez horas seguidas por dia, totalizando 80 horas de dados. Além de escutar os sons, mergulhadores contaram os peixes e as espécies. Foram encontradas de 18 a 23 espécies diferentes. Em Carneiros, foram vistos quase 1,4 mil peixes. As gravações aconteceram em janeiro e fevereiro de 2022 e em abril de 2023.

O que os cientistas descobriram

O estudo encontrou nove tipos diferentes de sons de peixes. Três deles pararam de ser ouvidos nos lugares onde havia mais gente. Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, explicou que houve uma queda clara nos sons dos peixes exatamente nas áreas com mais barulho causado pelos humanos.

Segundo o pesquisador, muitos peixes usam sons para se comportar, principalmente na hora de se reproduzir, se alimentar e defender seu território. O estudo também descobriu que a poluição sonora diminuiu a complexidade acústica, que é um jeito de medir a variação dos sons ao longo do tempo.

Por que isso é importante

Xavier disse que os peixes que vivem nos recifes são muito importantes para a saúde dos corais e para o equilíbrio da cadeia alimentar. Ele também lembrou que esses ambientes ajudam atividades como o turismo e a pesca artesanal.

Os pesquisadores acreditam que essas descobertas podem ajudar a criar leis para proteger as áreas costeiras. Entre as ideias citadas por Xavier estão organizar as rotas dos barcos, diminuir a velocidade em locais sensíveis e limitar a quantidade de atividades em cima de certos recifes.


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