Calote de R$ 15 milhões da SuperVia pode parar trens no Rio

Geral Calote 23/07/2026 07:11 Marcos Nunes - Extra extra.globo.com

Empresas que fazem manutenção, limpeza e outros serviços dizem que não estão recebendo pagamento. Isso pode atrapalhar atividades importantes para o funcionamento dos trens.

O sistema de trens do Rio de Janeiro está passando por uma auditoria técnica. A empresa Trens-RJ, que começou a operar em 30 de maio, contratou a Companhia Paulista de Trens Urbanos (CPTM) para fazer um diagnóstico de toda a linha férrea. O trabalho começou em junho e deve durar 60 dias. Mas cinco problemas já foram encontrados.

  • Uma dívida de R$ 15 milhões deixada pela SuperVia está sem pagamento para empresas de limpeza e manutenção.
  • Se o dinheiro não for pago, serviços essenciais para o funcionamento dos trens podem parar.
  • A nova empresa, Trens-RJ, tem 48 trens a menos do que a SuperVia usava.
  • Há muito lixo acumulado nos trilhos, incluindo restos de carros e até sofás velhos.
  • Estações estão sem acessibilidade, com escadas e elevadores quebrados há anos.

1 - Frota insuficiente

A Trens-RJ tem menos trens do que a SuperVia. Enquanto a antiga empresa usava 201 trens, a nova só tem 143. A diferença de 48 trens acontece porque muitos veículos estavam velhos ou quebrados e foram retirados de circulação.

2 - Lixo

Há muito lixo espalhado pelos 270 quilômetros de trilhos. Entre as estações Triagem e Maracanã, por exemplo, tem uma montanha de detritos do lado de dentro da linha do trem, perto da Mangueira. Também há restos de carros abandonados perto da estação de Costa Barros, uma área onde criminosos agem. O lixo jogado nos trilhos só aumenta. Em março de 2025, foram recolhidas 3,6 mil toneladas de lixo. Em 2020 inteiro, a SuperVia tinha recolhido 4 mil toneladas, incluindo sofás, televisores e entulho.

3 - Estações degradadas

Muitas estações não têm acessibilidade para pessoas com dificuldade de locomoção. Das 104 estações, nem todas têm rampas, elevadores ou escadas rolantes. Em algumas, como Maracanã, Méier e Madureira, as escadas rolantes estão quebradas há muito tempo por falta de peças. Na estação Madureira, a escada está parada há quase dois anos. O conserto de escadas e elevadores está orçado em R$ 1,8 milhão.

4 - Custos de segurança

A linha do trem tem 97 pontos que precisam de vigilância o tempo todo para evitar roubos e garantir que o sistema funcione. Os lugares mais perigosos são as subestações de energia. A Trens-RJ gasta entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões por mês com seguranças e equipes de apoio que ajudam os passageiros nas estações.

5 - Obras inacabadas

Existem pelo menos oito projetos que começaram e não foram terminados. Um deles é a construção de um reservatório de água para combater incêndios na estação Central do Brasil, que é o principal terminal de trens do estado. A estação, que é tombada pelo Iphan, também tem problemas com usuários de drogas e vendedores ambulantes nos arredores.


Chama no Zap

(66) 98408-0740