O STJ usou pela primeira vez uma nova punição que pode fazer um juiz perder o cargo. O ministro Marco Buzzi foi o primeiro a ser condenado com essa pena, que é mais forte que a aposentadoria compulsória.
Uma decisão inédita do Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou um novo momento na forma como o Judiciário brasileiro pune juízes acusados de faltas graves. Nesta quinta-feira (6), o plenário da Corte decidiu manter o afastamento do ministro Marco Buzzi e aplicar, pela primeira vez, a pena de disponibilidade com possibilidade de perda do cargo.
A medida representa uma mudança significativa na responsabilização de juízes. Antes, a punição mais severa aplicada na esfera administrativa costumava ser a aposentadoria compulsória, ou seja, o juiz se afastava do trabalho, mas continuava recebendo o mesmo salário. Agora, existe a possibilidade de o magistrado perder definitivamente o cargo e deixar de receber remuneração, desde que uma nova ação seja proposta pela Advocacia-Geral da União (AGU).
- O STJ é o tribunal que julga recursos de casos que já passaram por outros tribunais.
- A pena de disponibilidade é uma punição administrativa que pode levar à perda do cargo, mas isso ainda precisa ser confirmado pela Justiça.
- O ministro Marco Buzzi é acusado de crimes sexuais e foi condenado por unanimidade pelo STJ.
- Essa é a primeira vez que essa nova punição é aplicada, criando um precedente para casos semelhantes.
- A defesa de Buzzi pode recorrer ao STF, que é o tribunal mais alto do país.
O julgamento ocorreu de forma reservada e terminou com a condenação unânime de Marco Buzzi. Dos 28 ministros presentes, quatro defenderam que a punição fosse limitada à aposentadoria compulsória, mas acabaram vencidos.
O que muda com a nova punição
Na prática, Marco Buzzi continuará afastado das funções e passará a receber vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A perda definitiva do cargo, no entanto, ainda depende de uma etapa posterior: a AGU terá que entrar com uma ação específica para que a exoneração seja confirmada pela Justiça.
O novo modelo foi criado depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou, neste ano, que a aposentadoria compulsória não poderia mais ser a punição máxima aplicada a magistrados. Em resposta, o CNJ regulamentou a nova modalidade disciplinar, que agora teve sua primeira aplicação.
Especialistas avaliam que a decisão cria um precedente importante para casos semelhantes e reforça a cobrança por mais rigor na responsabilização de integrantes da magistratura.
As acusações
Marco Buzzi foi investigado depois de duas denúncias de crimes sexuais. Uma delas foi feita por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro, que disse ter sido abordada durante um banho de mar enquanto estava hospedada na casa de praia dele. A outra denúncia foi apresentada por uma servidora do STJ, que relatou ter sofrido assédio sexual dentro do gabinete.
As acusações foram apuradas em uma sindicância conduzida por três ministros do tribunal. Durante o julgamento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mudou seu posicionamento e passou a defender a aplicação da nova pena máxima prevista pelo CNJ.
Defesa contesta decisão
Marco Buzzi acompanhou o julgamento ao lado de seus advogados e negou todas as acusações. Em nota, a defesa afirmou que respeita a decisão do STJ, mas discorda dos fundamentos usados pelos ministros. Segundo os advogados, as provas reunidas mostrariam que os fatos narrados pelas denunciantes não aconteceram ou não poderiam ter ocorrido.
A defesa ainda poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal.

Sede do STJ em Brasília. Foto: Agência Brasil






