CBV proíbe mulheres trans em competições femininas seguindo regra do COI

Geral POLÊMICA 16/08/2026 07:30 GloboEsporte e FolhaMax folhamax.com

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou que vai seguir a nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a categoria feminina. A partir de agora, as atletas precisarão fazer um teste genético para comprovar que não possuem o gene SRY, que é ligado ao desenvolvimento masculino. A medida coloca em dúvida a carreira da atleta Tifanny Abreu, primeira mulher trans a jogar na elite do vôlei brasileiro.

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou na tarde desta sexta-feira (14) que vai seguir a nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre quem pode competir na categoria feminina. A medida vale para os campeonatos nacionais de quadra e de praia. A partir de agora, as competidoras precisam fazer um teste genético que mostre que não possuem o gene SRY, que é o principal responsável por iniciar o desenvolvimento masculino no corpo.

Em nota, a CBV explicou que está adotando os mesmos critérios da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, divulgada em março deste ano. Essa política diz que só podem competir na categoria feminina as atletas que são do sexo biológico feminino. A verificação será feita com o teste do gene SRY. A entidade afirmou que existem algumas exceções, para casos muito raros, como quando a atleta tem algum distúrbio do desenvolvimento sexual.

  • O teste é simples e nada invasivo: é só coletar uma amostra de células da boca.
  • A medida começa na temporada 26/27, na Superliga A e B, e também em outras competições, como a Copa Brasil e o vôlei de praia.
  • A atleta que não fizer o teste ou não for aprovada não poderá jogar na categoria feminina, mas não é considerada uma infração.
  • A jogadora Tifanny Abreu, do Osasco, que é a primeira mulher trans da elite, pode ser a mais afetada com essa nova regra.
  • A decisão da CBV segue o mesmo caminho já adotado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e por outras entidades esportivas.

Essa novidade coloca em dúvida o futuro da atleta Tifanny Abreu, que é a primeira mulher transgênero a jogar no alto nível do vôlei brasileiro. O time dela, o Osasco, foi surpreendido com a decisão e disse, em uma nota, que não foi consultado pela CBV. A diretoria do clube afirmou que está analisando a nova regra com os advogados para decidir quais serão os próximos passos e que continua apoiando a Tifanny.

A decisão da CBV e o caso Tifanny

Desde 2017, a CBV tinha uma regra específica para atletas trans e que permitia a participação delas. Porém, essa realidade começou a mudar em setembro de 2025, quando a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) tornou obrigatório o teste do gene SRY. Alguns meses depois, em março de 2026, o COI divulgou sua nova política, que já vem sendo copiada por várias federações de outros esportes.

Um dos pontos importantes da nova política é que a CBV promete dar ajuda para as atletas que forem afetadas. A entidade diz que vai oferecer orientação médica, apoio psicológico e medidas de proteção, principalmente para casos em que a atleta descobre alguma condição rara no corpo. A medida vale para todas as jogadoras, e o teste é feito de um jeito simples e bem preciso.

Osasco promete apoio à jogadora

Depois da notícia, o Osasco Futebol Clube se manifestou. No comunicado, o time de São Paulo afirma que ficou surpreso com a nova política da CBV e que não foi consultado sobre essa mudança. O clube contou que está com seu departamento jurídico analisando as regras para entender o que fazer. Mesmo assim, o Osasco deixou claro que continua apoiando totalmente a atleta Tifanny Abreu, que está no time desde 2021 e que tem uma história importante dentro e fora das quadras.

Tifanny Abreu já foi campeã da Superliga na temporada 2024/2025, além de ter ganho o Campeonato Paulista e a Copa Brasil. Na última edição da Superliga, ela chegou com o time até as semifinais e foi uma das jogadoras com o melhor ataque da competição. A decisão da CBV pode ter um grande impacto no futuro da carreira dela, mas o Osasco reforçou que vai lutar por ela e pelos direitos de todos que fazem parte da sua história.


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