Cooperativas agrícolas buscam proteger lucros até o fim do ano

Geral Cooperativas 21/08/2026 14:44 Fabrício Orrigo, AgFeed agfeed.com.br

Com a queda nos preços das commodities e o aumento dos custos, as cooperativas e distribuidores de insumos agrícolas enfrentam um cenário de margens apertadas. A digitalização da gestão se tornou essencial para sobreviver e prosperar. Descubra as estratégias para blindar as finanças e liderar o próximo ciclo de crescimento.

O segundo semestre começou, e as cooperativas e distribuidores de insumos agrícolas já estão de olho no fechamento do ano. A preocupação não é só com o calendário, mas com a queda nos lucros e a instabilidade do mercado.

Depois de várias safras boas, o setor agora enfrenta dificuldades: os preços das commodities mudam todos os dias e os custos dos insumos não caem na mesma velocidade. Isso gera um problema direto no bolso do agronegócio. Dados recentes da Serasa Experian mostram que os pedidos de recuperação judicial no agro subiram 56% no último ano, um recorde que serve de alerta para toda a cadeia.

  • O que está acontecendo A queda nos preços de soja e milho desvaloriza a produção e encarece os custos.
  • Por que isso importa Cooperativas e distribuidores estão financiando o campo com mais de R$ 1,3 trilhão, e a inadimplência pode crescer.
  • Qual é a solução Usar sistemas digitais para controlar estoques, crédito e vendas em tempo real.
  • O que está em jogo Sobreviver à crise e se preparar para o próximo ciclo de crescimento.
  • O que fazer agora Investir em gestão integrada e planejamento para proteger as margens.

O desafio dos estoques e dos preços

O primeiro grande problema é controlar os estoques. O distribuidor compra insumos com meses de antecedência e negocia com o produtor usando trocas (barter) ou crédito, apostando na colheita futura. Se o preço da soja ou do milho cai, a moeda usada para pagar a dívida perde valor, e o insumo comprado caro fica parado ou precisa ser vendido barato para não dar prejuízo ainda maior.

Para resolver isso, é preciso ter uma visão em tempo real que conecte os preços das commodities, a demanda esperada e os níveis de estoque. Assim, é possível agir rápido na hora de comprar e precificar os produtos.

O crédito como arma e como risco

O segundo desafio é o crédito. Com menos dinheiro oficial do governo, cooperativas e distribuidores viraram os grandes financiadores do campo, movimentando mais de R$ 1,3 trilhão. Mas conceder crédito sem ferramentas certas é perigoso. É preciso analisar o histórico do produtor, a capacidade da lavoura e a saúde financeira geral. Sem essa análise, o risco de calote aumenta e ameaça o caixa de quem financia.

Falta de sistemas integrados

O ponto que une tudo isso é a falta de sistemas integrados. De nada adianta ter um bom programa para a equipe de vendas se ele não conversa com o programa financeiro que analisa o crédito. O gestor precisa ter uma visão completa: estoque, finanças, crédito e clientes em um só lugar.

A corrida do fim de ano não é apenas para fechar as contas de 2026. É uma chance de criar uma gestão mais forte e inteligente. Quem se preparar agora, no início do semestre, vai sair mais forte da tempestade e liderar o próximo ciclo de crescimento.

Fabrício Orrigo é diretor-executivo de produtos para Agro da TOTVS.


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