Terra vai estourar limite de 1,5°C em breve e ONU avisa sobre fome

Geral Meio Ambiente 02/09/2026 09:03 Vitor Bonets CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Novo relatório das Nações Unidas alerta que o mundo passará do limite seguro de aquecimento global já nos próximos anos. O documento indica que temperaturas médias podem chegar a 1,8°C, causando riscos para ecossistemas, aumento do nível do mar e queda na produção de alimentos.

A Terra deve passar do limite crítico de 1,5°C de aquecimento global muito em breve. Segundo a ONU, mesmo com esforços para reduzir a poluição, a temperatura média do planeta deve chegar a 1,8°C acima do nível pré-industrial antes que comece cair.

Isso significa que o mundo ultrapassará a barreira de segurança climática estabelecida no Acordo de Paris, trazendo consequências graves para a natureza, a economia e a vida das pessoas.

  • O limite de 1,5°C deve ser rompido já nos próximos anos, atingindo 1,8°C antes de estabilizar.
  • Cada grau de aumento extra aumenta o risco de eventos climáticos extremos irrevogáveis.
  • A produção global de alimentos pode cair até 14% até 2050 por causa do calor.
  • O nível do mar deve subir, ameaçando cidades litorâneas e ilhas.
  • É possível limitar os danos, mas exige cortes urgentes e drásticos de gases poluentes.

Nenhum cenário é seguro

O relatório, chamado de "Limiting Overshoot", mostra que não existe nenhuma saída tranquila para a vida no planeta se o aquecimento passar de 1,5°C. A cada fração de grau que subirmos os riscos aumentam. Isso inclui eventos como o derretimento de placas de gelo na Antártica e na Groenlândia, a lentidão da circulação das correntes oceânicas do Atlântico e a destruição da Floresta Amazônica em larga escala.

Impactos no dia a dia do mundo

Os efeitos diretos incluem o derretimento de geleiras, o que pode elevar o mar em até 12,5 centímetros até 2100. Isso ameaça o abastecimento de água doce e pode causar inundações em cidades costeiras e países de ilhas. Além disso, as ondas de calor vão ficar mais fortes e frequentes, o que favorece a espalhamento de doenças e a fome por falta de comida.

"Não há bons resultados se ficarmos acima de 1,5°C. O mundo já vê ondas de calor extremas que serão mais rápidas, severas e duradouras, custando vidas e causando transtornos maiores", afirmou Inger Andersen, diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Como evitar o pior

Embora a situação seja séria, a ONU diz que o futuro ainda pode ser mudado. Para evitar o pior, o mundo precisa seguir uma estratégia de "ultrapassagem, pico e declínio". Isso significa que é permitido ultrapassar o limite 1,5°C por um curto período, mas a temperaturas máxima deve ser a menor possível e o tempo acima do limiar deve ser o mais curto possível.

Para isso, é necessário cortar rapidamente a emissão de dióxido de carbono e gases de vida curta, especialmente o metano. O metano, muito presente na indústria de combustíveis fósseis, resíduos e no agronegócio, é o fator mais eficaz para esfriar o planeta rápido. Além disso, o mundo precisa aumentar as fontes de energia limpa para que, até 2030, elas representem de 60% a 70% da eletricidade gerada, seguindo metas da COP 28.

Também será preciso usar tecnologias para remover gás carbônico do ar, como reflorestamento e armazenamento de carbono no solo. Os países ricos e mais poluidores devem liderar esse esforço e ajudar os países mais pobres a se adaptarem.

"Agora é a hora de redobrar esforços. Podemos e devemos trilhar o caminho certo: reduzindo gases, fortalecendo a adaptação e garantindo que o pico acima de 1,5°C seja o menor e mais rápido possível", concluiu Inger Andersen.


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