Estado vira destaque internacional por unir paisagens, arqueologia e relatos de fenômenos inexplicáveis, como o 'discoporto' de Barra do Garças, a Serra do Roncador e a Chapada dos Guimarães, atraindo turistas do 'ufoturismo'.
Da misteriosa Serra do Roncador, passando pelo lendário 'discoporto' de OVNIs em Barra do Garças, até as paisagens de Chapada dos Guimarães, o estado de Mato Grosso reúne uma combinação única de natureza, arqueologia, cultura indígena e fenômenos que ainda não têm explicação científica.
Esses elementos levaram o estado a conquistar um espaço de destaque na edição de agosto da revista Phenomena Magazine, publicações do Reino Unido. A matéria de capa focou no 'Aeroporto de OVNIs' e explorou a relação de Mato Grosso com relatos de objetos voadores não identificados, sítios arqueológicos e destinos ligados ao que chamam de 'ufoturismo'.
- O estado de Mato Grosso foi a capa de uma revista internacional famosa por investigar mistérios e fenômenos parapsicológicos.
- A reportagem abrange desde o 'Aeroporto de OVNIs' de Barra do Garças até a histórica Serra do Roncador.
- Um dos primeiros registros de fenômenos aéreos no Brasil, de 1846, ocorreu em Mato Grosso e foi documentado oficialmente.
- Turistas buscam não apenas belas paisagens, mas também histórias de mistério e cultura indígena local.
- Especialistas sugerem que o 'ufoturismo' pode impulsionar a economia local através de roteiros culturais e de experiência.
A rota do ufoturismo em Mato Grosso
Um dos pontos centrais abordados por Ataíde Ferreira, morador de Várzea Grande e presidente da Associação Mato-Grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), é o potencial do estado para esse novo tipo de turismo. O segmento reúne viagens de natureza, cultura, histórias locais e o interesse por enigmas não resolvidos.
A comparação feita pela reportagem britânica inclui destinos internacionais famosos por suas histórias ufológicas, como Roswell (EUA), Hessdalen (Noruega) e San Clemente (Chile). O objetivo não é afirmar que OVNIs existem, mas mostrar como essas histórias fazem parte da identidade cultural da região.
Diferentemente do turismo tradicional, que se concentra na contemplação da natureza, o ufoturismo atrai visitantes que desejam investigar mistérios e explorar lugares com perguntas sem resposta. Mato Grosso possui paisagens vastas, patrimônio arqueológico e tradições indígenas que complementam os relatos de luzes misteriosas.
O famoso Aeroporto de OVNIs de Barra do Garças
Um dos grandes destaques da publicação é o 'Aeroporto de OVNIs' em Barra do Garças. A história remonta a setembro de 1995, quando o então prefeito Valdon Varjão criou uma lei municipal para reservar um espaço simbólico para a pouso de discos voadores.
O que poderia ser apenas uma curiosidade virou uma poderosa estratégia de divulgação turística. Instalado no entorno da Serra Azul, o local atraiu atenção de jornais, TV e visitantes curiosos. Para Ataíde, essa iniciativa transformou uma peculiaridade local em um elemento de identidade e atração turística, ajudando a ver a ufologia como patrimônio cultural e ferramenta de desenvolvimento regional.
Mais importante ainda, sua criação ajudou a abrir espaço para que a ufologia fosse vista não apenas como objeto de investigação, mas também como uma forma de patrimônio cultural capaz de contribuir para o desenvolvimento regional, diz trecho da publicação.
Serra do Roncador: o coração dos mistérios
A Serra do Roncador, também em Barra do Garças, é apresentada como um dos locais mais emblemáticos de mistério no estado. O nome vem do fenômeno natural onde correntes de vento passam por paredões rochosos, produzindo sons profundos semelhantes a um grande ronco.
Essa atmosfera enigmática alimentou histórias de luzes misteriosas, desaparecimentos, cidades subterrâneas e encontros com seres não humanos. A reportagem cita relatos de moradores que descrevem objetos surgindo sobre as montanhas, fazendo movimentos incomuns e desaparecendo sem deixar rastros.
O primeiro registro de OVNI do Brasil
A matéria apresenta um episódio histórico de 5 de julho de 1846, atribuído a Augusto João Manoel Leverger, militar, geógrafo e Barão de Melgaço. Enquanto navegava pelos rios da região, ele teria visto um fenômeno luminoso incomum, que foi publicado na Gazeta Official do Império do Brasil.
A descrição fala de um globo luminoso que cruzava o céu com um rastro brilhante, contendo formas geométricas dentro da luz. O fenômeno ficou visível por cerca de 25 minutos e é considerado um dos registros mais antigos de um ocorrido aéreo anômalo no país.
Tradições indígenas e artes rupestres
As histórias sobre fenômenos celestes em Mato Grosso são anteriores à ufologia moderna. Ataíde cita as tradições dos povos Bororo, Xavante e Kayapó, que possuem narrativas sobre luzes e entidades celestiais, como o 'Aroê-Kodureu' (alma voadora dos Bororo) e os 'Uzô-né-ran' (esferas luminosas dos Xavante).
O texto destaca que essas narrativas pertencem ao universo espiritual indígena e não devem ser lidas apenas pela ótica da ciência contemporânea. Além disso, o patrimônio arqueológico, com pinturas rupestres de círculos e formas geométricas em locais como a Gruta dos Pézinhos e a Gruta da Estrela Azul, alimenta debates entre historiadores e pesquisadores.
Chapada dos Guimarães e o futuro do turismo
A Chapada dos Guimarães, a 60 km de Cuiabá, também integra essa rota. Conhecida por seus paredões e cachoeiras, a região recebe há décadas relatos de esferas luminosas e objetos silenciosos. Apesar de muitos casos poderem ter explicações astronômicas ou meteorológicas, a baixa poluição luminosa faz do lugar um ponto privilegiado para observação do céu.
A reportagem finaliza destacando o potencial econômico do ufoturismo. Ao valorizar o patrimônio histórico, ambiental e cultural, o estado pode criar roteiros temáticos, museus e festivais. A ideia é usar o mistério como porta de entrada para que o turista conheça a rica história e cultura de Mato Grosso, fortalecendo a economia local.

Reportagem especial de seis páginas sobre Mato Grosso foi publicada na edição de agosto de 2026 da britânica Phenomena Magazine. Foto: Reprodução












