Como mudanças no cabelo moldaram minha história e autoestima

Geral Cabelo 07/09/2026 15:36 Bia Garbato - Jovem Pan jovempan.com.br

Bia Garbato compartilha histórias engraçadas e reflexivas sobre as fases do cabelo, desde cortes arriscados na escola até a descoberta de produtos capilares, mostrando como o cabelo é mais que estética.

Como na vida de todo ser humano interessante, meu cabelo já passou por várias fases. Ou eras.

Por exemplo, quando resolvi fazer um corte Joãozinho. Eu ainda estava no colégio, o que demonstra muita personalidade, ou pelo menos foi o que tentei cravar. Não acho que tenha ficado ruim. Nem bom. As pessoas tiveram reações do tipo: Nossa, como ficou diferente. Ou: Puxa, que coragem. Entendeu Mas um único menino da escola amou. Não poupou elogios, por dias. Comecei a namorar com o rapaz, né Era o que tinha. O relacionamento durou até meu cabelo ficar Chanel.

Memórias de adolescência e experimentos capilares

  • Corte Joãozinho na escola gerou reações mistas, mas rendeu um namoro curto.
  • A moda da franja McDonalds resultou em um corte desastrado feito por amigas.
  • Uso de clareador na praia transformou o cabelo em algo irreconhecível.
  • Homens enfrentam a calvície; mulheres preferem esconder ou tingir os fios brancos.
  • Tranças e produtos capilares modernos exigem mais investimento e cuidado.

Você vai me desculpar, mas quem nunca cortou o próprio cabelo, não viveu. No meu caso, não fui eu, mas acho que conta. Explico: em determinado momento da minha adolescência, ficou na moda um lance chamado franja McDonalds. Em poucas palavras: uma franja que faz o formato de M na sua testa. Não tinha como dar certo. Eu resisti, porque era moda no grupo das patricinhas e eu não era uma delas. Na turma das hippies, o cabelo era longo e partido ao meio, terminando no cós da saia indiana. Eu também não me enquadrava na galera do incenso. Mas, como eu era amiga de todo mundo, havia uma competição velada para me aliciar pra uma das tribos. Num intervalo desses, duas amigas da tribo das mauricinhas me chamaram pra ir ao banheiro. Coisa normal da rotina estudantil feminina. O que eu não reparei é que uma delas empunhava uma tesoura escolar. Sim, ela me convenceu a entrar na modinha do Méqui. Juntou um tanto do meu cabelo na frente do meu rosto e záz. Ali nascia um cabelo Big Mac. Se ficou bom Claro que não. Meu cabelo, que foi liso a vida inteira, resolveu espernear e a franja enrolou. Nem escova dava jeito. Grazadeus a tiara era uma opção viável.

Em relação à cor: quem nunca tentou aloirar as madeixas na praia As mais sábias usavam chá de camomila. As mais retardadas (eu) achavam uma boa espirrar água oxigenada, que vinha num frasco escrito Sanim (que anos depois descobri que era Sun In). O lance é que na frente do produto estava escrito clareador hidratante com extrato de macadâmia e gérmen de trigo. Inofensivo, né Mas, se virasse o frasco, estava lá: peróxido de hidrogênio. Leia-se: água oxigenada. Resultado: depois de um bate-volta ao Guarujá, todo mundo voltava com cara de surfista (sem nunca ter pegado um jacaré) e precisando, urgentemente, de um banho de creme.

Envelhecimento e cuidados com a cor natural

Ainda sobre a cor das madeixas. Não tem jeito, em algum momento da vida, homens e mulheres vão ter cabelo branco. Começa com um fiozinho aqui e outro ali, que você pede pra alguém fazer a gentileza de puxar. Até que eles começam a se multiplicar. Descontroladamente. Os homens têm a sorte de, muitas vezes, ficarem charmosos, imprimindo o Richard Gere (ok, exagerei). Por outro lado, eles têm que lidar com a calvície. Nós, mulheres, invariavelmente, acabamos escondendo os brancos. Algumas tentam dar uma mesclada fazendo luzes. Dizem até que as mulheres não envelhecem, enlourecem. E tem aquelas que querem manter a cor original, como eu. As que têm uma cabelereira gente boa, apelam pra henna, um pigmentador natural que não estraga os fios. E têm as que, para manter a cor original dos cabelos no meu caso um castanho lindíssimo (como minha mãe acha) , tem que apelar pra tintura, a cada 3 semanas. É a vida.

Uma coisa que eu amo é trança. Trança de raiz, então, acho chiquérrimo. A única coisa é que a mesma habilidade que eu tenho para fazer uma omelete sem queimar por fora e deixar cru por dentro, tenho pra fazer uma trança embutida. Depois de assistir as inúmeras videoaulas no YouTube, saiu uma bem razoável. Glória. Tentei repetir, mas teve um problema: como eu demorei 30 anos pra aprender, meu ombro reclamou antes de chegar até o fim. Miséria.

A descoberta de produtos e a aceitação atual

Quanto aos produtos capilares. Eu sou da geração que foi criada no Neutrox. Para quem não tem 40+, vou tentar explicar como era esse condicionador. Desculpa, não consegui, só quem viveu saberá. Mas, voltando aos produtos: eu já fui de não ligar pro que usava no cabelo. Sabe aquela coisa tenho-coisa-mais-importante-pra-pensar Escolhia pelo custo-benefício e pela lei do mínimo esforço: comprava um frascão de shampoo, que durasse um bom tempo. Só que, lá pelas tantas, essa estratégia parou de funcionar. Com a idade, a produção de queratina o equivalente ao colágeno da pele , dá uma caída. Meu cabelo sentiu. Queda, frizz, o pacote palhoça completo. Não teve jeito: o preço do meu shampoo passou de 2 pra 3 dígitos. E ainda entrou no jogo a máscara hidratante e o leave-in, além do óleo capilar: gotas viscosas amarelo-ouro, pra dar aquela acalmada nos momentos de revolta do cabelo. Só tem um problema: pra tirar o produto das mãos, só com detergente de pia.

Atualmente, estou em paz com meu cabelo. Me encontrei num tamanho longo, pré-crente. Além do que, com a maturidade, a gente aprende a ajeitar as madeixas. Mas independente da cor, do comprimento e do preço dos produtos, o importante é saber que o que vale é o que está dentro da cabeça.


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