Ex-dono do Banco Master mudou viagem para fugir antes de prisão

Geral Vorcaro 08/09/2026 08:57 Matheus Alleoni, Jovem Pan jovempan.com.br

Documentos da Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro alterou a data de uma viagem a Dubai para tentar embarcar antes de ser preso. Confira os detalhes.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, tentou embarcar para Dubai no dia 17 de novembro e foi preso pela Polícia Federal no mesmo dia. Antes disso, ele mudou rapidamente a data de viagem, tentando sair do país com antecedência para escapar das investigações.

Documentos secretos mostram que o banco já estava planejando deixar o Brasil na noite do dia 18 de novembro. Porém, naquela mesma semana, uma conversa com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez com que a viagem fosse antecipada para o dia 17. A notícia foi divulgada pela Jovem Pan e confirmada pelo UOL.

Viagem que foi antecipada

O plano inicial mostrava a decolagem do Aeroporto de Guarulhos, no estado de São Paulo, às 23h10 do dia 18 de novembro, com uma parada em Milão e chegada a Dubai no dia seguinte. Um dia antes, no sábado 15, uma empresa que dá apoio a voos executivos ainda pedia autorização para o avião pousar nos Emirados Árabes Unidos, seguindo aquele cronograma.

Nesse mesmo sábado, às 18h22, Vorcaro mandou mensagem para o ministro Alexandre de Moraes. Questionou se conseguiria sair já na segunda-feira, como ficou registrado no relatório da Polícia Federal, que usou dados tirados do celular do banqueiro.

Mudanças de última hora

No dia seguinte, no sábado 17, Vorcaro pediu a dois funcionários do Banco Central, dentro de um grupo de mensagens, para que alterassem os planos. Ele explicou que os investidores estrangeiros, envolvidos na venda do banco, trouxeram mudanças que dificultaram a viagem.

Ele chegou a reservar um quarto de hotel no dia 17 na cidade de Dubai, com chegada no dia 18, segundo a PF. Depois da tentativa de embarcar, a Polícia Federal iniciou neste sábado a Operação Compliance Zero, e o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Quem estava no grupo

O grupo em que Vorcaro avisou sobre a mudança da viagem reunia Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto da área. Os dois falavam com o banqueiro e participavam de trocas de informações sobre os documentos do banco. Posteriormente, eles foram afastados dos cargos com suspeitas de obterem vantagens para ajudar Vorcaro. As defesas negam as acusações.

Documentos secretos sobre a ligação entre Vorcaro e Moraes

O ministro André Mendonça tirou, no dia 1º de setembro, o sigilo de documentos que mostram a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Entre as evidências estão mensagens, encontros presenciais e negociações envolvendo o banqueiro e o escritório de advocacia ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Os documentos são uma análise elaborada pela Polícia Federal a partir dos dados encontrados no celular de Vorcaro, apreendido durante uma ação. O relatório indica que o telefone do banqueiro tinha quatro nomes diferentes para o mesmo número, que era de Moraes. Uma mensagem veio de um ex-ministro das Comunicações, que passou o número para Vorcaro em dezembro de 2023.

Contrato de R$ 108 milhões

Em 11 de janeiro de 2024, Viviane enviou para Vorcaro a minuta de um contrato de prestação de serviços. Os registros mostram que o último ajuste foi feito no mesmo dia por Moraes, com alterações que também aparecem em mensagens do ex-ministro das Comunicações.

O acordo foi assinado em 23 de janeiro de 2024 e previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões. Ou seja, um total de R$ 108 milhões. Uma segunda negociação envolvia uma empresa chamada Viking Participações, que assina um contrato em maio de 2025.

Valores dos ativos

Na conversa, o advogado de Vorcaro oferecia duas opções para transferência de bens. As opções incluíam imóveis e participações nos setores de aviação e helicópteros. A PF avaliou a participação no avião em US$ 5.512 milhões e a do helicóptero em US$ 1.335 milhões.

Há registros de pagamentos em julho de 2025 relacionados ao escritório de Moraes. Valores na ordem de R$ 3 milhões e quase R$ 23 milhões foram mencionados na análise.

Perguntas antes da prisão

A polícia encontrou mensagens mostrando que Vorcaro conversava com Moraes, muitas vezes criando notas no celular e enviando as imagens por mensagens. Ele perguntava sobre medidas judiciais a serem tomadas contra ele e como escapar das investigações.

Entre as perguntas, ele perguntou se seria uma busca ou uma quebra de sigilo, e se havia algo que ele pudesse fazer para evitar consequências. No dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, ele perguntou se conseguiria sair já na segunda.

O escritório de advogados responsável afirmou que Alexandre de Moraes examinou o primeiro contrato para verificar se havia impedimento legal, segundo a manifestação.

Rapidity:

  • Vorcaro tentou sair do país já na segunda-feira, alterando a viagem.
  • A Polícia Federal usou os dados do celular dele para montar a investigação.
  • Os documentos mostram encontros e negociações com o ministro Alexandre de Moraes.
  • Contratos somam mais de R$ 108 milhões no total.
  • Após a tentativa de viagem, o Banco Central liquidou o Banco Master.

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