Após burnout, Lázaro Ramos repensa carreira e assume: família é prioridade

Geral Burnout 20/09/2026 07:17 Zean Bravo - Extra extra.globo.com

Lázaro Ramos, que vive o vilão Jendal em 'A nobreza do amor', fala sobre o burnout que o fez reduzir o ritmo de trabalho, sua nova visão da carreira e o filme 'Feito pipa', escolhido para representar o Brasil no Oscar.

Por muito tempo, Lázaro Ramos viveu em ritmo intenso. Ator, diretor, produtor e escritor, o baiano de 47 anos fazia muitas coisas ao mesmo tempo, emendando produções. Hoje, como vilão Jendal em A nobreza do amor, ele leva a carreira com mais calma. A mudança veio depois de um episódio decisivo: em janeiro de 2024, durante uma pausa, ele viajou para Salvador, sua cidade, e foi internado após o corpo cobrar a conta de uma rotina sem descanso.

Tive burnout. Não morri naquela ocasião, mas não quero voltar a essa situação. Meu corpo pifou. Desmaiei e fui para o hospital. Estava numa rotina sem pausa, sem sono regular, sem boa alimentação. A carcaça estava malcuidada. O corpo me parou, na minha terra, e me deu o recado. Dormi e acordei no hospital com esse diagnóstico. Saí de lá com atestado de dez dias. Isso durante uma novela! Fiquei me cuidando e voltei melhor. Se você percebeu, mudei o tom do Mário Fofoca para um registro mais lúdico. Hoje levo a carreira de outra forma, afirma o ator, que também está nos filmes Antártida (em cartaz) e Feito pipa (estreia em 5 de novembro, escolhido como representante do Brasil no Oscar de Melhor Filme Internacional em 2027).

  • Lázaro Ramos teve burnout em 2024 e foi internado em Salvador.
  • Ele mudou a rotina e agora faz apenas um trabalho por vez.
  • O filme Feito pipa vai representar o Brasil no Oscar de 2027.
  • Jendal é o primeiro vilão da carreira do ator em novelas.
  • Família, com Taís Araujo e os filhos, é sua prioridade.

Tem sido lindo ver a trajetória do filme. Foi demais ganhar prêmios internacionais em Berlim, mas fiquei honrado quando vi o impacto com a plateia brasileira em Gramado, destaca.

O burnout e a nova forma de trabalhar

Feito pipa acompanha um menino que mora com a avó. Quando ela adoece, ele tenta esconder para não ir morar com o pai, um homem rígido interpretado por Lázaro. O longa ganhou dois prêmios em Berlim e quatro em Gramado, incluindo melhor ator coadjuvante para Lázaro. Nessa nova fase, ele explica que faz apenas um trabalho por vez.

O desafio agora é provar para mim mesmo que ainda tenho paixão pelo que faço. Nos últimos tempos, fiz papéis pensando na manutenção da carreira. Mas hoje os personagens que escolho não são para provar nada a ninguém.

A mudança trouxe equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Marido de Taís Araujo e pai de João Vicente e Maria Antônia, de 15 e 11 anos, Lázaro afirma que a família é sua prioridade.

Taís está viajando com a peça dela, e eu tenho ficado mais em casa com os filhos. Sou centralizador, mas hoje tento não fazer o que posso delegar. Tenho uma equipe que trabalha comigo.

Família em primeiro lugar

Jendal, o vilão da novela das seis, que tomou o trono do fictício reino africano Batanga e joga inimigos no poço das serpentes, também marca essa etapa.

A pergunta era: como fazer esse sujeito que é um tirano sem ser óbvio Não estou defendendo o Jendal! Mas o vejo como um malandro otário. Ele acha que está arrasando, mas tem muitos ingredientes para ser otário.

O vilão tem conflitos com a filha, Kênia (Nikolly Fernandes), o que caiu nas graças do público. Nesta semana, ele desembarca no Brasil atrás da princesa Alika (Duda Santos).

Teremos cenas fortes, com muita ação!

Apesar de já ter feito Foguinho, o anti-herói de Cobras & Lagartos (2006), Lázaro evitava vilões com tintas fortes.

Por muito tempo quis provar que um ator negro poderia ser herói protagonista. Então nunca ousei pensar em fazer um vilão.

O vilão Jendal

Primo do autor Elísio Lopes Jr., que escreve A nobreza do amor com Duca Rachid e Júlio Fischer, Lázaro se apaixonou pela sinopse. Estava escalado para outra novela quando marcou reunião com a direção da Globo para mudar.

Eu tinha que estar nessa novela por vários motivos: por falar do continente africano e também por se passar no Nordeste.

A trama termina em novembro e, para Lázaro, o saldo é positivo.

Todos os dias fico com frio na barriga antes de cada cena. Tenho receio de não fazer todas com o mesmo empenho, admite Lázaro, que ainda apresenta o Criança Esperança em 12 de outubro.

Ele já participou da campanha outras vezes, mas agora é diferente.

Desta vez, o programa mistura dramaturgia e música. A cenografia é linda! Voltei a ser criança.

Vida pessoal e filhos

Em casa, Lázaro acompanha a mudança de fase dos filhos.

São outras demandas. Este ano entendi que eles não são mais crianças.

Conforme crescem, ele continua ensinando, mas também leva broncas.

Comecei a levar mais esporro deles. Maria Antônia é engraçada. Outro dia cheguei tarde e ela estava acordada, dançando. Baixei a luz e ela disse: Primeiramente, boa noite, né Lázaro Ramos! Ela usa humor para me dar bronca. É uma menina leve. Lembro de uma cena na pandemia, dela pulando no sofá. Falei para parar e ela respondeu: Eu gosto de ser feliz, você é que procura motivo para ser triste.

Da relação de 22 anos com Taís, Lázaro aprende que o casamento está sempre em movimento.

Ela nunca é a mesma pessoa. Claro que várias características se mantêm. Mas Taís vai mudando. Recentemente apagou uma tatuagem na nuca e disse que não queria mais. Dias depois, voltou com uma tatuagem nova! Isso me faz reapaixonar por ela.

Casamento em movimento

O casal já contou que às vezes marca hora para transar. Lázaro ri da ideia de fórmula.

Isso não é regra. Nem sempre vamos marcar e dar certo. As pessoas acham que há fórmula, mas não temos receita. O que sabemos é que precisamos rir juntos. Às vezes ficamos trocando memes. Não dá para resolver problemas o tempo todo.

Mais do que nunca, Lázaro sabe que rir é um grande remédio.


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