Uma análise do Instituto Trata Brasil aponta que apenas 13 dos 62 principais candidatos a governador têm propostas completas e detalhadas para universalizar o acesso à água potável e ao tratamento de esgoto nos estados.
Um levantamento realizado pelo Instituto Trata Brasil analisou os planos de governo de 62 principais candidatos a governador. O estudo verificou que apenas 13 propostas apresentam um plano abrangente e completo para a área de saneamento básico.
A pesquisa avaliou os programas de governo daqueles candidatos com maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno, com base em pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro de 2026.
- De 62 candidatos analisados, apenas 13 possuem propostas abrangentes para saneamento.
- 44 candidatos apresentaram propostas parciais, tratando apenas alguns aspectos do tema.
- 5 candidatos tiveram propostas consideradas superficiais ou muito genéricas.
- 87% das menções ao saneamento falam de universalização, mas apenas 26% definem metas claras.
- Estados com pior índice, como Acre e Amazonas, têm candidatos que praticamente ignoram o tema.
Como os planos de governo foram avaliados
O Instituto Trata Brasil, organização da sociedade civil focada em conscientizar a população sobre a importância do saneamento, analisou quatro eixos fundamentais na política pública: planejamento e coordenação para universalização; viabilização de investimentos e solução de gargalos; governança e regulação; e metas tangíveis e verificáveis.
A partir dessa análise, cada candidato recebeu uma classificação baseada na profundidade do tratamento dado ao tema. Um plano é considerado 'ausente' se não menciona saneamento; 'superficial' se toca em apenas um aspecto; 'transversal' se aborde dois ou três eixos; e 'abrangente' se cubra os quatro eixos principais.
O resultado final mostrou que todos os 62 candidatos abordaram pelo menos um eixo em seus planos. Cinco propostas foram classificadas como superficiais. A maioria, 44 propostas, foi considerada transversal, sendo que 15 abordam dois eixos e 29 abordam três. Apenas 13 planos incluem os quatro eixos necessários para uma política estruturada.
Universalização prometida, mas sem metas claras
Luana Pretto, presidente executiva do instituto, explica que o tema saneamento básico tem ganhado mais visibilidade nos últimos quatro anos, mas ainda é tratado de forma pouco aprofundada. Ela destaca que o principal problema é a falta de comprometimento com metas claras e objetivas, como saber qual o percentual de água e esgoto tratado hoje e qual será entregue ao final do mandato.
Ela ressalta a contradição de muitos planos: "Oitenta e sete por cento dos candidatos falam de universalização, só que apenas 26% colocam metas. Então, eu falo de universalização, mas eu não me comprometo com meta. E isso é um problema".
Além disso, Luana aponta a falta de foco em regulação técnica. "Eu falo de universalização, mas eu não falo de regulação, que é um tema muito importante quando a gente olha que as agências reguladoras têm que ser técnicas, independentes e fortalecidas para cobrar tanto a expansão dos serviços quanto a operação eficiente desses serviços", acrescenta.
Estados com pior infraestrutura são os que menos falam do tema
O Instituto Trata Brasil alerta que a simples menção ao assunto nos planos de governo não garante um compromisso estruturado. A pesquisa indica que a pauta entrou no debate eleitoral, mas ainda carece de profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento para garantir a execução dos serviços.
Um ponto crítico levantado pela presidente do instituto é a discrepância entre a necessidade real e a prioridade política. "Acre, Maranhão e Amazonas, que são estados com indicadores bastante ruins, ainda têm candidatos praticamente não citando o saneamento básico", observa Luana.
Ela conclui defendendo a urgência do tema: "O que seria o ideal é que, em estados onde a gente tem um indicador muito ruim de saneamento, a gente deveria ter os candidatos comprometidos com o tema, porque faltam sete anos para universalizar o saneamento e, se ele não se comprometer agora, coloca em risco o atingimento dessa meta".

© Tânia Rêgo/Agência Brasil





