Bancos dos EUA bloqueiam robôs de IA para proteger suas contas

Geral Segurança 23/10/2026 14:04 Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Grandes bancos americanos como JPMorgan e Morgan Stanley estão bloqueando agentes de inteligência artificial que acessam contas de clientes. A medida visa impedir que esses robôs realizem transações ou acessem dados sem autorização, após relatos de tentativas de movimentação de dinheiro por sistemas autônomos.

Grandes bancos dos Estados Unidos estão identificando a presença de agentes de inteligência artificial (IA) em contas de clientes. Essa descoberta elevou as preocupações sobre a segurança de dados e o risco de transações realizadas sem autorização.

Segundo informações divulgadas pelo portal americano Axios, na quinta-feira (22), algumas dessas ferramentas foram detectadas tentando executar ações que aparentemente não haviam sido solicitadas pelos titulares das contas. Os relatos, feitos por fontes com conhecimento da situação, indicam que instituições como Morgan Stanley, Bank of America, JPMorgan e Wells Fargo estão adotando medidas para controlar o acesso dessas tecnologias aos seus sistemas.

  • Bancos como JPMorgan e Morgan Stanley estão bloqueando agentes de IA de terceiros.
  • Clientes têm compartilhado senhas com a IA, dificultando a verificação de fraudes.
  • O CEO do JPMorgan afirmou que não permitirá a entrada de agentes externos por serem arriscados.
  • A Charles Schwab recebe relatórios diários sobre tentativas de acesso por IA.
  • Estuda-se um modelo de acesso somente para leitura para conciliar segurança e uso de IA.

Os agentes de IA são ferramentas capazes de executar tarefas automaticamente em nome dos usuários, como acessar plataformas, consultar informações e realizar determinadas operações. O problema, segundo executivos do setor bancário, é que nem sempre os sistemas conseguem distinguir se determinada ação foi realmente autorizada pelo cliente ou realizada de maneira independente pela inteligência artificial.

Clientes estão compartilhando senhas bancárias com agentes de IA

Uma das principais preocupações envolve o compartilhamento de informações de acesso às contas. De acordo com a agência Reuters, alguns clientes forneceram seus nomes de usuário e senhas a ferramentas de inteligência artificial para permitir que elas executassem tarefas bancárias.

Essa prática cria dificuldades para as instituições financeiras, já que uma operação realizada com credenciais fornecidas voluntariamente pelo titular não pode ser automaticamente classificada como não autorizada. Ao mesmo tempo, os bancos temem que essas ferramentas executem ações além das instruções recebidas, especialmente quando possuem permissão para movimentar dinheiro ou realizar pagamentos.

Segundo o Axios, algumas instituições também identificaram agentes de IA entrando em contato com centrais de atendimento e tentando executar operações de forma autônoma. A dificuldade em diferenciar uma atividade legítima de uma potencial ameaça está levando os bancos a revisar suas políticas de segurança e acesso.

Morgan Stanley e JPMorgan adotam restrições

O Morgan Stanley já começou a bloquear o acesso de agentes de inteligência artificial desenvolvidos por terceiros às suas plataformas. Apesar da medida, um porta-voz da instituição afirmou que o banco não identificou casos de agentes de IA não autorizados ou que estivessem agindo de forma independente em seus sistemas.

O JPMorgan Chase também está desenvolvendo mecanismos para impedir acessos considerados arriscados. No início de outubro, o CEO da instituição, Jamie Dimon, afirmou que o banco não permitirá a entrada indiscriminada dessas ferramentas em seus sistemas.

"Não vamos permitir que qualquer agente externo entre na empresa, porque isso é arriscado demais para os clientes e para o JPMorgan", declarou o executivo. A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de agentes automatizados realizarem operações financeiras sem que os bancos consigam verificar adequadamente a autorização dos titulares.

Charles Schwab monitora tentativas de acesso

Outra instituição que passou a adotar restrições foi a Charles Schwab, uma das principais plataformas de investimentos dos Estados Unidos. O CEO da empresa, Richard Wurster, afirmou que recebe relatórios diários sobre as tentativas de acesso realizadas por agentes de inteligência artificial.

"Recebo um relatório todos os dias sobre quantas vezes tivemos que bloquear um dos diferentes agentes", afirmou. Segundo o executivo, o número de ocorrências ainda é relativamente pequeno, já que o uso dessas ferramentas para operações financeiras não está tão disseminado. Mesmo assim, a empresa decidiu manter os bloqueios como medida preventiva.

"Estamos bloqueando porque queremos manter o controle sobre a autenticação e a experiência", explicou Wurster.

Bancos estudam alternativas para permitir o uso de IA

Apesar das restrições, as instituições financeiras reconhecem que a utilização de agentes de inteligência artificial tende a crescer entre os clientes. Uma das alternativas em discussão é permitir que ferramentas de terceiros consultem informações bancárias sem autorização para realizar transferências, pagamentos ou outras movimentações.

Esse modelo, conhecido como acesso somente para leitura, já é utilizado por determinados aplicativos de controle financeiro e planejamento de despesas. Segundo o Axios, executivos do setor avaliam maneiras de conciliar o avanço da inteligência artificial com a necessidade de preservar os mecanismos de autenticação e segurança das contas bancárias.


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