A Justiça italiana adiou para o dia 24 de novembro a decisão sobre a devolução da ex-deputada Carla Zambelli ao Brasil. A defesa alegou falta de acesso a documentos sobre as condições da prisão feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, argumentando que o ambiente é desumano e que a extradição representaria uma sentença de morte.
A Justiça da Itália adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição para o Brasil da deputada cassada Carla Zambelli. O processo trata do caso em que ela foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Em 2022, a ex-parlamentar sacou um revólver e perseguiu um jornalista pelas ruas de São Paulo.
A Corte de Apelação de Roma atendeu a um pedido da defesa de Zambelli. Os advogados solicitaram o adiamento do julgamento alegando não ter tido acesso à documentação enviada pelo governo brasileiro sobre as condições da Colmeia, como é conhecida a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, para onde Zambelli deve ser levada caso seja extraditada.
- O julgamento, marcado para esta quarta-feira, foi adiado para o dia 24 de novembro.
- A defesa alega que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante.
- Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por invasão de sistemas do CNJ.
- Ela também cumpre pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma.
- A ex-deputada aguarda em Roma, na Itália, a decisão final da Justiça.
A extradição de Zambelli chegou a ser autorizada pela primeira instância da Justiça italiana, mas a defesa conseguiu que a Corte de Cassação realizasse novo julgamento. Essa medida foi tomada diante da falta de informações claras sobre as condições carcerárias no Brasil. Este é o julgamento que estava marcado para esta quarta-feira e foi adiado para o próximo mês.
Essa é a segunda vez que a extradição de Zambelli está sendo julgada pela Justiça italiana. Em uma situação anterior, relacionada ao caso no qual ela foi condenada por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o pedido chegou a ser autorizado pela primeira instância. Porém, a defesa conseguiu reverter a decisão na Corte de Cassação, que é a última instância recursal italiana.
Na ocasião, para negar a extradição, os magistrados italianos mencionaram o que consideram ser uma falta de imparcialidade no julgamento do caso por parte do relator no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes.
Defesa alega risco à saúde e integridade
Em nota, o advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, disse que o julgamento desta terça-feira não poderia ocorrer. Ele justificou que, sem acesso à documentação enviada pelo Brasil, não seria "possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolvem a garantia à saúde da ex-deputada".
O defensor acrescentou que "extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante".
Condenações e fuga para a Itália
A ex-deputada Carla Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão pela Primeira Turma do STF, em 2025, pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica.
Ela foi considerada culpada por encabeçar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizada em 2022. O objetivo, segundo a condenação, era inserir neles um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes. A motivação seria desmoralizar o Poder Judiciário diante das eleições presidenciais iminentes.
Ainda em 2025, ela foi condenada de novo pelo STF. Nesta segunda condenação, a pena foi de 5 anos e 3 meses de prisão, com regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso está relacionado à perseguição do jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Refúgio político na Europa
Após a primeira condenação, e antes que fosse expedida a ordem para o cumprimento da pena, Zambelli se valeu do passaporte europeu para embarcar rumo aos Estados Unidos e, em seguida, para a Itália. No país europeu, ela pediu refúgio alegando perseguição política.
Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF. A prisão foi por intermédio do governo brasileiro, que pediu sua extradição imediata. Após o primeiro pedido de extradição ser negado em definitivo, ela foi solta. Atualmente, ela aguarda em Roma o julgamento do segundo pedido de extradição.

Extradicao (IA)





