Luyara Franco, filha da vereadora assassinada, acusa alunos da PUC-Rio de ofenderem a memória da mãe em um grupo de WhatsApp, exigindo punição e respeito. A universidade confirma a abertura de investigação.
A filha da ex-vereadora Marielle Franco, Luyara Franco, denunciou publicamente ofensas racistas feitas à memória de sua mãe. Os ataques teriam ocorrido em um grupo de WhatsApp com integrantes da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Segundo a filha, uma pessoa usou o termo "macaca" para se referir a Marielle e questionou de que forma ela teria pago os estudos na universidade, onde cursou sociologia.
- O ocorrido: Comentários racistas contra Marielle foram feitos em um grupo da PUC-Rio.
- Quem denunciou: Luyara Franco, filha da vereadora assassinada.
- Reação da universidade: A PUC-Rio abriu investigação interna para apurar o caso.
- Contexto legal: Racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível no Brasil.
- Antecedentes: A memória de Marielle já foi alvo de outras ofensas em atos políticos recentes.
Luyara expressou sua indignação nas redes sociais. "Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio", afirmou a jovem em publicação conjunta com o Instituto Marielle Franco.
"A gente está falando de uma mulher negra, que ocupou a universidade, que construiu sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade. Uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência política e que, mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo", disse Luyara.
A filha de Marielle reforçou que tais atitudes não podem ser justificadas como liberdade de expressão ou brincadeira. "Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime", acrescentou. A legislação brasileira, especificamente a Constituição Federal, estabelece o racismo como crime inafiançável e imprescritível, com pena de reclusão e multa.
Posicionamento da PUC-Rio
A universidade confirmou ter recebido as denúncias através de sua Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias. Em nota oficial, a instituição informou que já abriu uma investigação interna para apurar os fatos e tomar todas as medidas administrativas e legais necessárias.
A PUC-Rio declarou repúdio veemente a qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial. "Como universidade confessional e comunitária, a PUC-Rio emitiu uma nota de repúdio, divulgada a toda a comunidade universitária, reafirmando seu compromisso com a promoção de uma educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle Franco", completou a universidade.
Outros ataques recentes
Esta não é a primeira vez que a memória de Marielle Franco é atacada recentemente. No dia 13 de outubro, apoiadores do então candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) realizaram um ato perto da PUC-Rio. Em vídeos que circularam nas redes sociais, manifestantes ironizaram o assassinato da vereadora.
Um dos participantes, usando o carro de som, declarou: "Marielle está com papai do céu", e emendou: "ou no colo do capeta". O episódio gerou forte repercussão. Tanto Luyara Franco quanto a irmã de Marielle, a deputada federal eleita Anielle Franco (PT), publicaram vídeos nas redes sociais defendendo a memória da vereadora.
O assassinato de Marielle
O crime que ceifou a vida de Marielle Franco ocorreu em março de 2018. O carro da vereadora foi atingido por disparos de arma de fogo quando ela saía de um ato no centro do Rio de Janeiro. Marielle e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados.
Os autores confessos do crime, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, foram condenados em 2024. Além deles, outras figuras políticas e de segurança foram responsabilizadas judicialmente. O STF manteve as condenações de cinco acusados:
- Domingos Brazão, então conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro;
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
- Ronald de Paula, major da Polícia Militar;
- Robson Calixto, ex-policial militar.






