Israel rompe com a ONU após ser acusado de violência sexual

Mundo Guerra 28/05/2026 17:38 Folhapress noticiasaominuto.com.br

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, anunciou que vai suspender as relações com o secretário-geral António Guterres por causa de uma suposta inclusão de Israel em uma lista de países que usam violência sexual em guerras. A ONU ainda não confirmou essa informação, mas Israel está revoltado e diz que a decisão é injusta e mentirosa.

O embaixador de Israel na ONU anunciou, nesta quinta-feira (28), a suspensão das relações com o secretário-geral da organização, António Guterres, ao denunciar a suposta decisão, ainda não tornada pública, de incluir Israel na lista de países responsáveis por violência sexual em conflitos.

Resuminhos rápidos sobre a notícia

  • Israel cortou relações com a ONU por causa de uma lista que acusa o país de usar estupro como arma de guerra
  • A ONU ainda não confirmou se colocou Israel nessa lista, mas Israel já reagiu com raiva
  • O embaixador de Israel disse que a ONU está espalhando mentiras e colocando Israel no mesmo grupo que o Hamas
  • Israel convidou a ONU para verificar as acusações, mas diz que eles não quiseram ir
  • Um jornal americano, o New York Times, publicou denúncias de violência sexual contra palestinos presos por Israel

"Estamos fartos desse secretário-geral", declarou o embaixador Danny Danon em uma mensagem de vídeo publicada no X. A missão israelense esclareceu que isso significa o "congelamento" de suas relações com o gabinete do secretário-geral da ONU até o final de seu mandato, em 31 de dezembro de 2026.

O que Israel está dizendo

"A decisão de incluir Israel na lista e nos acusar de usar violência sexual como arma de guerra é ultrajante", afirmou Danon. "O secretário e sua equipe continuam espalhando mentiras contra Israel para nos colocar, juntamente com os terroristas do Hamas, na mesma lista. Isso é inaceitável", acrescentou.

As Nações Unidas não confirmaram a informação e, até o momento da publicação deste texto, não se pronunciaram.

"A decisão vergonhosa e absurda da ONU de incluir entidades israelenses no anexo do relatório sobre CRSV [violência sexual relacionada a conflitos] é mais uma prova da verdadeira natureza da ONU: uma organização politizada e corrupta que abandonou seus princípios fundadores e tem como missão principal atacar sistematicamente Israel", disse Oren Marmorstein, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, em publicação no X.

Acusações e respostas de Israel

Segundo Danon, Israel convidou representantes da ONU para irem ao país verificar as acusações. "Eles optaram por não vir e preferiram continuar com a campanha contra Israel. Vimos a mentira no New York Times e agora vemos outra mentira vinda da ONU", diz, em referência a texto publicado pelo jornal americano que compila denúncias de violência sexual contra palestinos em prisões israelenses.

Um dia após a publicação do texto, Israel divulgou um relatório de 300 páginas em que acusa o grupo terrorista Hamas e outras facções palestinas de "violência sexual sistemática" e "em larga escala" durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, e contra os reféns sequestrados.

Denúncias do New York Times e novas leis

O artigo do New York Times reúne entrevistas com homens e mulheres que relatam estupros, torturas sexuais e humilhações atribuídas a guardas prisionais, soldados, colonos e interrogadores de Israel. O texto é assinado por Nicholas Kristof, colunista do jornal desde 2001.

Em paralelo, o Parlamento de Israel aprovou uma lei que cria um tribunal militar especial para julgar palestinos acusados de participar dos ataques do Hamas. O projeto recebeu apoio tanto da coalizão governista quanto da oposição; nenhum dos 120 parlamentares votou contra.

O tribunal especial julgará suspeitos capturados durante ou após o ataque liderado pelo Hamas. Também serão julgadas pessoas acusadas de manter ou abusar de reféns na Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, cerca de 400 devem ser levados a julgamento.

Acusações de violência contra ativistas

Mais recentemente, na última semana, a organização Global Sumud Flotilla, que organiza flotilhas com destino à Gaza, acusou soldados de Israel de agressões e estupros de ativistas detidos na última missão do grupo. Foram mais de 400 detidos, que em seguida foram deportados para a Turquia.

O serviço prisional israelense negou as acusações. "São falsas e inteiramente sem base factual. Todos os prisioneiros e detidos são mantidos de acordo com a lei, com toda consideração pelos seus direitos básicos e sob a supervisão de equipe prisional treinada e profissional", afirmou um porta-voz em comunicado.

Em vídeos divulgados pela organização, parte dos deportados é deslocada de maca ao chegar à Turquia, e outros mostram marcas de feridas e hematomas que teriam sido resultado de violência praticada por soldados.

Crise diplomática e críticas internacionais

A deportação dos ativistas estrangeiros ocorreu um dia após uma avalanche de críticas internacionais, que culminaram numa crise diplomática, devido à divulgação de um vídeo pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben-Gvir, que mostrava os ativistas detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão enquanto o hino nacional israelense era reproduzido em volume alto.

Diversas nações -incluindo França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Itália, Irlanda e Turquia- repudiaram o ato e até mesmo representantes dos Estados Unidos, aliado de Tel Aviv, criticaram o episódio. O embaixador Mike Huckabee disse que, apesar de a flotilha ser uma "ação estúpida", Ben-Gvir "traiu a dignidade" de Israel pela forma como agiu.

O chanceler israelense, Gideon Saar, acusou Ben-Gvir de prejudicar a imagem internacional do país, o que evidenciou um racha na coalizão governista. Já o premiê Binyamin Netanyahu disse ter ordenado a deportação dos ativistas, mas afirmou que "a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel".


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