Cerca de 49 mil pessoas entraram em Ceuta, na Espanha, desde quinta-feira. O primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que foi uma invasão e prometeu usar todos os recursos para proteger a cidade.
Pelo menos 24 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentar chegar a Ceuta a nado, saindo do Marrocos. Seis corpos foram retirados do mar na manhã desta sexta-feira, segundo fontes policiais espanholas.
- Mais de 49 mil pessoas entraram em Ceuta, uma cidade com 83 mil habitantes.
- A crise atual é muito maior do que a de 2021, quando 10 mil migrantes entraram em 48 horas.
- O governo espanhol enviou militares para ajudar a Guarda Civil.
- O primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a entrada em massa foi um ataque ao território espanhol.
- Redes de tráfico de pessoas são suspeitas de incentivar a migração ilegal.
A nova crise migratória levou milhares de pessoas às fronteiras terrestre e marítima entre o Marrocos e o enclave espanhol no Norte da África. Estimativas iniciais da polícia indicam que cerca de 49 mil migrantes podem ter entrado em Ceuta desde quinta-feira, mas o governo espanhol ainda não divulgou um número oficial.
Esse número é mais da metade da população da cidade, que tem cerca de 83 mil pessoas. A movimentação começou a aumentar a partir do meio-dia de quinta-feira. A situação é muito mais grave do que a crise de 2021, quando cerca de 10 mil migrantes entraram em 48 horas.
Depois da chegada em massa, muitas pessoas começaram a voltar para o Marrocos nesta sexta-feira. Imagens de emissoras espanholas mostraram grupos atravessando a praia de volta para o território marroquino, enquanto um número menor ainda tentava chegar a Ceuta pelo mar.
Na cidade marroquina de Fnideq, perto da fronteira, jornalistas viram confrontos violentos entre a polícia e centenas de pessoas que tentavam passar para o lado espanhol.
Por causa da crise, o governo da Espanha enviou militares para ajudar a Guarda Civil e aumentou o número de policiais responsáveis pela segurança de Ceuta. O primeiro-ministro Pedro Sánchez e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, foram ao local nesta sexta-feira para acompanhar a operação.
Pedro Sánchez disse que a entrada em massa foi uma violação da integridade territorial da Espanha e afirmou que o governo vai usar todos os recursos disponíveis para proteger a cidade e seus moradores.
"O que aconteceu ontem foi um ataque, uma violação da integridade territorial da Espanha", declarou.
O primeiro-ministro também falou com a população de Ceuta e reconheceu o impacto emocional causado pela crise.
"A Espanha está ao seu lado. Entendemos completamente o sofrimento emocional e o estado de ansiedade que vocês viveram nas últimas horas", afirmou.
Segundo Sánchez, esse episódio interrompe uma tendência de queda de 37% nos fluxos migratórios ilegais registrada neste ano.
As autoridades marroquinas reforçaram os controles para diminuir a pressão na fronteira. Os governos dos dois países afirmaram que estão cooperando durante a crise e culparam redes de tráfico de pessoas pelo que aconteceu.
O Ministério do Interior da Espanha disse que grupos criminosos usaram uma decisão recente do Supremo Tribunal espanhol para incentivar a tentativa de entrada, principalmente entre jovens sem documentos.
Essa decisão diz que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma ilegal não podem ser devolvidas imediatamente para outro país. A entrega direta para as autoridades estrangeiras só vale para quem atravessa estruturas físicas de contenção, como cercas nas fronteiras.
Partidos de direita e extrema direita da Espanha culparam o governo de Sánchez pela crise e relacionaram o episódio a um processo de regularização de estrangeiros que está acontecendo no país. O governo negou a acusação e disse que a medida atende apenas pessoas que já moram e trabalham na Espanha.

© Lusa






