A Justiça de Nova York suspendeu o julgamento de Luigi Mangione, acusado de matar o presidente da UnitedHealthcare, após ele confessar o crime na Justiça Federal. A decisão sobre o caso será tomada em dezembro.
O caso
O julgamento de Luigi Mangione, acusado de matar Brian Thompson, presidente da empresa de saúde UnitedHealthcare, não vai mais começar em setembro. A Justiça de Nova York suspendeu o processo para analisar uma questão importante: será que ele pode ser julgado pelo assassinato depois de já ter confessado o crime na Justiça Federal
A seleção do júri estava marcada para 8 de setembro. Agora, o juiz Gregory Carro agendou a próxima audiência para 10 de dezembro, sem marcar uma nova data para o início do julgamento. A promotoria de Manhattan terá até 9 de outubro para responder à defesa, e os advogados de Mangione poderão dar a réplica até 30 de outubro.
- Mangione confessou que matou Brian Thompson em Nova York.
- O julgamento no estado foi suspenso após a confissão federal.
- A defesa diz que ele não pode ser julgado duas vezes pelo mesmo crime.
- A sentença federal está marcada para 18 de dezembro, com pena possível de prisão perpétua.
- O juiz estadual vai decidir se o julgamento continua ou é encerrado.
A confissão
A reviravolta aconteceu depois que Mangione, de 28 anos, formado pela Universidade da Pensilvânia, se declarou culpado na Justiça Federal na sexta-feira, 14 de agosto, de duas acusações de perseguição que resultaram na morte de Thompson. Ele não fez uma confissão simples: diante do juiz, admitiu que pesquisou o executivo, descobriu informações sobre a conferência de investidores da UnitedHealthcare e viajou para Nova York. Também reconheceu que atirou em Thompson em Manhattan, em 4 de dezembro de 2024.
Brian Thompson foi morto a tiros na frente de um hotel em Manhattan. Ele era casado e tinha dois filhos. Mangione foi preso cinco dias depois, em Altoona, na Pensilvânia.
O debate jurídico
A confissão federal é agora a base da defesa. Os advogados pedem que o processo estadual seja encerrado, argumentando que levar Mangione a julgamento de novo pelos mesmos atos viola as regras de Nova York contra a dupla punição (double jeopardy).
A discussão é complicada porque, nos EUA, os governos federal e estadual são independentes e, às vezes, podem processar a mesma pessoa por crimes diferentes. Mas Nova York tem leis mais rígidas contra acusações repetidas pelo mesmo ato. A defesa diz que a perseguição federal e o assassinato estadual fazem parte do mesmo caso.
O que vem agora
A promotoria de Manhattan discorda e diz que pretende continuar com o processo. Mangione ainda se declara inocente das acusações estaduais, que incluem homicídio em segundo grau e porte de arma. Então, mesmo tendo confessado na Justiça Federal, ele ainda não foi condenado pelo assassinato no estado.
Na Justiça Federal, a situação é diferente. Mangione espera a sentença, marcada para 18 de dezembro, apenas oito dias depois da próxima audiência estadual. Os crimes federais que ele confessou permitem pena de prisão perpétua, e os promotores federais disseram que vão pedir isso.
Isso cria uma situação incomum: Mangione já confessou em tribunal que perseguiu Brian Thompson e atirou nele, mas a Justiça ainda precisa decidir se o estado de Nova York pode julgá-lo pelo mesmo assassinato.
A decisão do juiz Gregory Carro pode decidir se vai haver julgamento por homicídio em Manhattan ou se a confissão federal, que pode levar Mangione à prisão perpétua, vai impedir o julgamento estadual.

Diante do juiz, Mangione admitiu que pesquisou o executivo, descobriu informações sobre a conferência de investidores da UnitedHealthcare e viajou para Nova York - Reprodução/Instagram/@luigi.mangione.98





