Turquia emite mandado de prisão contra Netanyahu e aumenta tensão com Israel

Mundo Guerra 22/08/2026 07:02 Folhapress noticiasaominuto.com.br

O governo israelense chamou o presidente turco de 'ditador antissemita' e prometeu reagir à 'tentativa de desestabilização'. Os dois países são aliados dos EUA, mas a Turquia tem relações próximas com o Hamas e acusa Israel de genocídio.

Nova ordem de prisão

Nesta sexta-feira (21), dois importantes aliados militares dos Estados Unidos, Turquia e Israel, aumentaram a tensão da crise diplomática que vivem. A Turquia emitiu um novo mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. O governo de Israel reagiu dizendo que vai agir contra "as tentativas da Turquia de desestabilizar a região".

  • Não é a primeira vez que a Turquia pede a prisão de Netanyahu.
  • O novo mandado é por causa de um ataque israelense a uma flotilha humanitária que tentava levar ajuda a Gaza.
  • Israel é acusado de crimes como tortura e sequestro de veículos.
  • A Turquia é aliada dos EUA e membro da Otan, o que complica a situação.
  • Os dois países são separados apenas pela Síria, onde a tensão também aumentou.

Em novembro de 2025, a Turquia, país de maioria muçulmana, já tinha emitido mandados de prisão para Netanyahu e outras 36 autoridades israelenses, acusando-os de genocídio na Faixa de Gaza.

Nesta sexta, o mandado se refere às ações das forças de Israel contra a flotilha humanitária que tentou romper o bloqueio naval imposto por Tel Aviv contra Gaza. Netanyahu e membros do seu governo foram acusados de lesão corporal, tortura, destruição de propriedade e roubo de bens, além de sequestro de veículos.

Reação de Israel

O governo israelense reagiu imediatamente. Em nota, chamou Erdogan de "ditador antissemita" e lembrou as várias prisões de jornalistas e políticos de oposição na Turquia. O comunicado diz ainda que "Israel continuará a agir de maneira decisiva contra as tentativas [turcas] de desestabilizar a região".

No X, a conta oficial do escritório do premiê israelense publicou um vídeo justificando o ataque que escalou a crise nesta semana. Na terça-feira (18), Israel bombardeou a base aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria, afirmando que a Turquia se preparava para enviar um contingente militar à instalação.

Um porta-voz de Netanyahu disse no vídeo que a base fica a menos de 290 quilômetros do território israelense e que poderia representar uma ameaça. "Não permitiremos que a Turquia se entrincheire na Síria e se mova cada vez mais ao sul, na direção de Israel", afirmou, acrescentando que Erdogan é um inimigo do Estado judeu.

Contexto da crise

A relação bilateral entre os países, cujo território é separado apenas pela Síria, começou a piorar depois dos ataques de 7 de outubro de 2023. O grupo terrorista Hamas, responsável pelos atentados que mataram 1.200 israelenses, conta com apoio diplomático de Erdogan, que, em 2020, recebeu líderes da facção extremista em visita oficial. A ação foi condenada na época por Israel e pelos EUA.

Ao longo da guerra na Faixa de Gaza, em que pelo menos 73 mil palestinos foram mortos em ataques israelenses, Erdogan criticou constantemente as ações de Tel Aviv. O presidente turco falou em genocídio e suspendeu todo o comércio e voos com Israel, mas não tomou o passo de romper formalmente as relações diplomáticas.

A Turquia é um de apenas cinco países no Oriente Médio que reconhecem a existência do Estado de Israel, ao lado de Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, o que tornaria qualquer piora mais severa nas relações extremamente danosa para Tel Aviv.

Soma-se a isso o fato de que a Turquia ocupa uma posição bastante elevada na lista de aliados dos EUA. Ancara é membro da Otan (aliança militar liderada por Washington), opera mísseis e centenas de aviões de combate de fabricação americana, e é um dos seis países onde o Pentágono armazena armas nucleares. Somente a Alemanha, a Bélgica, a Holanda, a Itália e o Reino Unido também compõem essa lista.

Também por causa da proximidade entre Erdogan e o Hamas, a Turquia, ao lado do Egito e do Qatar (onde vivem hoje os líderes do grupo), ajudou a negociar o acordo de paz entre Israel e o grupo terrorista chancelado por Trump com a criação do Conselho da Paz.

O progresso dos termos da trégua, entretanto, tem sido lento, e nesta quinta-feira (20) Ancara, Doha e Cairo criticaram Israel por repetidos ataques em Gaza apesar do acordo. "A intensificação dos ataques israelenses mina os esforços internacionais em um momento crítico", disseram os países em nota.


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