Trump intensifica ataque às leis ambientais da Califórnia

Mundo Trump 24/08/2026 08:49 Eliseu Caetano - Jovem Pan jovempan.com.br

O governo Trump está usando vários órgãos federais para enfraquecer as regras de proteção ao meio ambiente da Califórnia e favorecer a indústria de petróleo e gás.

A briga entre o governo de Donald Trump e a Califórnia ficou mais forte. O governo federal está usando vários órgãos para tentar enfraquecer as regras ambientais do estado, principalmente as que buscam diminuir o uso de combustíveis como gasolina e diesel, e aumentar o uso de energia limpa, como a solar e a eólica.

De acordo com um levantamento do jornal The New York Times, pelo menos seis órgãos do governo americano estão envolvidos em ações para beneficiar a indústria do petróleo e do gás, e também para atrapalhar ou cancelar projetos de energia renovável na Califórnia. Essa disputa coloca Washington contra um dos estados mais preocupados com o meio ambiente nos Estados Unidos.

  • O governo Trump quer produzir mais petróleo e gás, enquanto a Califórnia quer mais fontes como sol e vento.
  • Pelo menos seis órgãos federais estão agindo para favorecer os combustíveis fósseis e bloquear projetos de energia limpa.
  • O governo pagou milhões de dólares para empresas cancelarem projetos de energia eólica no mar.
  • A Califórnia é o estado mais rico dos EUA e suas regras podem afetar o país inteiro.
  • A briga pode mudar o preço da energia, o custo dos carros e os investimentos no setor.

Não é só uma questão de meio ambiente. A briga envolve energia, investimentos, empregos, preço da eletricidade e até o poder que cada estado tem para criar suas próprias regras.

A Califórnia tem algumas das leis ambientais mais rígidas dos EUA. O estado definiu metas para aumentar o uso de energia limpa, cortar a poluição e depender menos de combustíveis fósseis. O governo Trump segue um caminho totalmente oposto.

Desde o começo do segundo mandato, Trump colocou o aumento da produção de petróleo, gás e outras fontes de energia tradicionais como prioridade. Uma de suas ordens manda tirar as barreiras para essa produção. Na Califórnia, essa ideia bate de frente com as decisões do governo estadual.

Conflitos recentes

Um exemplo é a energia eólica no mar. O governo Trump já cancelou ou atrapalhou projetos de parques eólicos na costa dos EUA. Em junho, ele fechou um acordo de US$ 765 milhões para que a empresa Invenergy deixasse para trás quatro contratos de energia eólica no mar, incluindo um na Califórnia. A empresa vai usar esse dinheiro em outros tipos de energia, como gás natural e energia geotérmica.

Em agosto, outro acordo aumentou ainda mais a conta. A empresa RWE concordou em abandonar projetos de energia eólica no mar que estavam sendo feitos na costa de Nova York, Califórnia e Louisiana. O governo pagou US$ 1,22 bilhão para encerrar esses contratos.

Esses projetos poderiam gerar cerca de 7 gigawatts de eletricidade, o que daria para abastecer mais de 5 milhões de casas. Para o governo Trump, a energia eólica não é confiável, e ele prefere aumentar a produção de petróleo e gás. Para a Califórnia, isso é uma interferência direta do governo federal na sua estratégia de energia.

A briga não para nos parques eólicos. Em agosto, um juiz federal decidiu que um oleoduto na costa da Califórnia pode continuar funcionando, mesmo com a oposição do estado.

Trump usou a Defense Production Act, uma lei federal de produção para defesa, para mandar reabrir esse oleoduto, dizendo que era necessário para as necessidades do país durante a guerra com o Irã. A Califórnia contestou, mas o juiz disse que a regra federal vale mais do que a estadual.

O papel da Califórnia

Essa briga é importante porque a Califórnia não é um estado qualquer. É a maior economia dos EUA e um dos maiores mercados consumidores do país.

Quando a Califórnia cria regras mais duras para carros, combustíveis, energia ou poluição, as empresas que vendem em todo o país precisam decidir se seguem só as regras federais ou também as da Califórnia. Isso pode influenciar o mercado americano inteiro.

Além disso, a Califórnia continua criando novas regras ambientais mesmo com a pressão do governo federal. Nesta semana, por exemplo, aprovou regras para pneus economizarem combustível.

A primeira fase começa em 2029, com regras ainda mais rígidas em 2033. Isso pode economizar quase US$ 1 bilhão por ano para os motoristas.

Futuro da energia

Isso mostra que a disputa não vai acabar tão cedo. Trump tenta aumentar o espaço para o petróleo e o gás, enquanto a Califórnia quer manter seu próprio plano de energia limpa.

Há uma consequência além das fronteiras do estado. Se o governo federal conseguir impedir grandes projetos de energia renovável na Califórnia, o dinheiro pode ir para outras fontes, principalmente petróleo e gás. Se a Califórnia mantiver suas regras, ela continua sendo um enorme laboratório de políticas ambientais nos EUA.

A disputa também acontece em um momento em que o país está precisando de mais eletricidade. Grandes centros de dados, inteligência artificial, indústrias e carros elétricos estão consumindo mais energia.

Isso leva Trump a uma pergunta: como produzir mais energia rápido e manter os preços baixos Ele aposta em combustíveis tradicionais. A Califórnia aposta em solar, eólica, baterias e outras opções mais limpas.

Impacto para todos

O conflito entre essas duas ideias pode definir não só a política ambiental dos EUA, mas também onde os bilhões de dólares em investimentos vão parar nos próximos anos. Para o consumidor, isso tem efeito direto.

No final, a escolha entre petróleo, gás, solar e eólica não é só um debate político. Ela pode aparecer na conta de luz, no preço da gasolina, no custo dos carros, nos empregos e nos investimentos do setor.

A briga entre Trump e a Califórnia é muito mais que uma disputa entre Washington e Sacramento. É uma disputa sobre quem decide a política energética dos EUA e qual será a matriz de energia do país nos próximos anos.


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