A Rússia lançou seu 6º ataque aéreo consecutivo contra Kiev, matando ao menos 12 pessoas. O bombardeio usou 218 drones, incluindo novos drones a jato mais rápidos e difíceis de interceptar, atingindo áreas residenciais e a infraestrutura ferroviária da capital ucraniana.
Pela sexta noite seguida, ataques aéreos da Rússia atingiram Kiev e o entorno da capital ucraniana de segunda (31) para terça (1º). Ao menos 12 pessoas morreram na ação, que atingiu áreas residenciais, mas foi focada na infraestrutura ferroviária da cidade.
O bombardeio seguiu um novo padrão das forças de Vladimir Putin, que têm explorado uma escalada na guerra iniciada pelo russo em fevereiro de 2022. Agora, Moscou tem alternado mega-ataques com ondas constantes.
- A Rússia lançou 218 drones contra a Ucrânia, sendo 187 interceptados pelas defesas ucranianas.
- A novidade é o uso de drones a jato Gerânio-2, que voam a 600 km/h, tornando-os muito mais difíceis de abater.
- Em média, 90 drones a jato foram usados por dia contra a Ucrânia em agosto.
- O ataque mais mortal na região de Kiev ocorreu no sábado, quando 38 pessoas morreram em Butcha após um depósito de armas ser atingido.
- A Rússia também ameaçou países do Báltico com resposta 'devastadora' e condenou exercícios militares entre EUA, Japão e Austrália.
Novo tipo de drone assusta defesas ucranianas
As forças russas têm empregado menos armamentos, mas de forma mais focada. A Força Aérea da Ucrânia informou que 218 drones de ataque foram usados no bombardeio, e 187 foram abatidos. Também foram interceptados mísseis de cruzeiro e ao menos cinco balísticos.
A grande novidade é o aumento no uso da versão a jato do drone suicida Gerânio-2, a versão russa do iraniano Shahed-136. Esses drones voam a até 600 km/h, contra 180 km/h do modelo antigo com hélice, o que os torna muito mais difíceis de interceptar.
A taxa de interceptação dos drones a jato é de apenas 60%, segundo os militares ucranianos, enquanto as versões anteriores tinham taxa entre 80% e 90%. As ondas de drones abrem caminho, saturando as defesas aéreas, para que os mísseis alcancem seus alvos.
Meses mais mortais da guerra
Segundo o porta-voz da Aeronáutica ucraniana, Iurii Ihnat, cerca de 90 drones a jato foram disparados contra a Ucrânia, principalmente Kiev, em média a cada dia de agosto.
O mês manteve a alta mortalidade de civis. Segundo dados do projeto Acled, até o dia 20 de agosto houve 20 mortos em média por dia no conflito, sendo 15 na Ucrânia. O número é semelhante ao de julho, que teve o maior número de mortos não combatentes desde o início da guerra em março de 2022.
O ataque mais mortal na região de Kiev ocorreu no sábado (29), quando 38 pessoas morreram no subúrbio de Butcha após um depósito de armas próximo a casas ser atingido. Também houve ataques à região portuária de Odessa, centro da exportação de grãos da Ucrânia no mar Negro.
Ucrânia ataca território russo
Não é só a Rússia que ataca. Kiev alvejou um dos maiores terminais de embarque de petróleo da Rússia, Ust-Luga, perto de São Petersburgo, e casas próximas a uma refinaria em Samara, no sudeste de Moscou.
A campanha da Ucrânia neste ano tem se mostrado mais mortífera contra civis russos e provocou uma crise de desabastecimento de combustível no país de Putin. Além disso, serviços de entrega online foram prejudicados com o bombardeio de centros logísticos das gigantes Wildberries e Ozon.
Tensão diplomática cresce
A violência de ambos os lados é a maior, em número de incidentes, em todo o conflito. Isso reflete a falta de avanço no campo diplomático, onde a tensão de Moscou com os rivais do Ocidente também está em alta. Na semana passada, o chefe da espionagem americana esteve na Rússia para discutir o assunto.
Nesta terça, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, lançou ameaças. Comentando as queixas de países do Báltico sobre ações russas, ela disse que a resposta será decisiva e devastadora.
Mais cedo, a Estônia havia dito que drones ucranianos lançados contra a Rússia chegaram a entrar em seu espaço aéreo. A Ucrânia atribuiu isso a ações de Moscou, que nega.
Zakharova também se referiu à tensão entre a Rússia e o Japão, que disputam ilhas no Pacífico desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ela condenou o exercício militar entre japoneses, americanos e australianos que começa no dia 8, chamando a ação de provocativa e inaceitável. A principal queixa é o uso de lançadores de mísseis Typhon, que podem disparar mísseis de cruzeiro Tomahawk.

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