Extrema Direita Fortalece e Merz Chama Resultado de Desastre na Alemanha

Mundo Eleições 21/09/2026 11:16 Folhapress / Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Partido AfD amplia votação e pressiona governo; em Berlim, A Esquerda pode assumir a prefeitura pela primeira vez, enquanto o chanceler Friedrich Merz descarta renunciar e jura manter suas reformas apesar dos recordes de desaprovação.

As pesquisas de boca de urna indicam que a AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de extrema direita, obteve novamente resultados expressivos neste domingo (20). Em um momento de grande fragilidade do seu próprio governo, o chanceler (primeiro-ministro) Friedrich Merz classificou o desempenho de seu partido como um "desastre", embora tenha descartado a hipótese de renunciar.

Logo após o encerramento da votação, Merz afirmou em pronunciamento público que seu programa de reformas é o "antídoto para o veneno autoritário". Ele reforçou que continua firme no cargo e determinado a seguir com sua agenda de mudanças, ignorando as especulações sobre sua saída do poder.

Resumo dos pontos principais

  • A AfD (extrema direita) dobrou sua presença no Parlamento de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
  • Em Berlim, o partido A Esquerda tende a vencer a eleição para a prefeitura pela primeira vez na história.
  • O chanceler Merz atingiu recorde de popularidade negativa, com 88% dos cidadãos insatisfeitos.
  • O partido AfD propõe a saída da União Europeia, retorno ao marco alemão e reaproximação da Rússia.
  • A governadora de Mecklemburgo, Schwesig, chamou a eleição de uma "advertência" ao governo central.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD deve conquistar a maior votação, com 37% dos votos, superando o SPD da atual governadora, Manuela Schwesig, que obteve 35,5%. Apesar de a AfD ter dobrado o tamanho de sua bancada no Parlamento estadual, o resultado deve permitir que Schwesig permaneça no cargo, mantendo a atual governadora no poder.

Em Berlim, o cenário traz novos desafios para o centro-direita. A legenda populista AfD deve garantir a terceira maior bancada, com 16% dos votos. Em contrapartida, A Esquerda pode se tornar a força dominante, com 24,5%, seguida pela CDU (partido de Merz), com 20%. Isso significa que a CDU perde força na capital alemã.

Os pleitos estaduais funcionaram como um plebiscito sobre a administração de Merz. Surpreendendo analistas e a imprensa, o premiê convocou uma reunião de emergência com o comitê executivo de seu partido durante o dia da votação, sinalizando a gravidade da situação interna.

"O que precisa ser feito agora exige firmeza, perseverança e paciência. Invocarei essas qualidades como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler do nosso país", declarou Merz, afirmando diretamente que não pretende deixar o cargo, mesmo diante das críticas.

A ascensão da extrema direita ocorre em um contexto de impopularidade histórica de Merz. Na última semana, 88% dos alemães disseram estar insatisfeitos com o governo, enquanto apenas 10% aprovam sua gestão. Eleito em 2025, Merz enfrenta dificuldades para implementar reformas complexas em uma economia que está estagnada há anos.

O chanceler admitiu a complexidade do cenário social. "Estamos vivendo em um Estado que se tornou complicado demais", disse. Ele destacou que a economia está em profunda transformação e que as relações sociais ficaram mais ásperas. Para Merz, a solução não pode ser um retorno a modelos antigos, criticando o tom reacionário adotado pela AfD.

A AfD defende propostas polêmicas, como a deportação em massa de imigrantes irregulares, o retorno da moeda antiga do marco alemão e a possível saída da União Europeia. Além disso, o partido quer substituir a transição energética verde pela retomada do uso do gás russo. A tentativa de reaproximar a Alemanha da Rússia, país envolvido na guerra na Ucrânia, é vista pelo gabinete de Merz como uma ameaça estratégica.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres da Alemanha, a CDU sofreu um dos piores resultados em sua história de 81 anos. O partido teria superado por pouco a cláusula de barreira de 5% para ter representação parlamentar. Integrantes da CDU local culpam o primeiro-ministro pela queda, acusando sua política de ser insensível às necessidades básicas da população.

Manuela Schwesig, governadora de Mecklemburgo e integrante da coalizão de Merz, não poupou críticas ao chefe do governo. Já se opõe ao projeto de reforma da Previdência aprovado pela coalizão e tem cobrado um teto para o preço dos combustíveis, que subiram devido a conflitos no Estreito de Hormuz.

Anaistas acreditam que a vitória de Schwesig servirá para dar mais força aos social-democratas dentro da coalizão, aumentando a tensão política. Schwesig resumiu o resultado em seu estado como uma "advertência dirigida ao primeiro-ministro e a todo o governo", indicando que a base aliada pode pressionar por mudanças na estratégia.

Em Berlim, a CDU perde a prefeitura para A Esquerda. Será a primeira vez que a sigla indica um nome para o cargo de governador na cidade-estado. A principal candidata, Elif Eralp, deve vencer propondo uma coalizão com o SPD e os Verdes. A disputa é acirrada pelos altos custos de vida na capital.

Elif Eralp, que se apresentou na campanha como uma cidadã comum ("inquilina") antes de qualquer outra qualificação, busca resolver a crise habitacional. "Quero me tornar prefeita de Berlim para que as pessoas da nossa cidade voltem a ter uma vida melhor", disse. A oferta de moradia acessível é o problema crônico mais citado pelos moradores da capital alemã.

Entidades judaicas expressaram preocupação com o avanço de A Esquerda, partido que, segundo a imprensa, abriga integrantes investigados por antissemitismo devido a manifestações de apoio à Palestina e críticas às ações de Israel em Gaza, gerando debates acalorados sobre liberdade de expressão e tolerância.


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