Ex-presidente do Paraguai é preso após impeachment e protestos

Mundo Política 07/11/2026 08:22 CNN Brasil cnnbrasil.com.br Assunção

Santiago Peña, deposto do cargo, foi detido e transferido para base militar após escândalo bancário. Ele deve ir ao Ministério Público enfrentar acusações de crimes econômicos enquanto manifestantes protestam contra a medida.

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, deve comparecer ao Ministério Público neste sábado (7) pela primeira vez. Ele foi detido por agentes da polícia na noite de sexta-feira (6), após a queda de seu governo.

Durante a noite, Peña precisou ser transferido da prisão domiciliar para uma unidade especial das Forças Armadas do Paraguai. A informação foi confirmada pelos jornais locais La Nacion e ABC Color.

  • Peña foi preso após o Senado aprovar seu impeachment com 44 votos a favor e uma abstenção.
  • A ordem de prisão foi assinada por promotores especializados em crimes econômicos e anticorrupção.
  • O caso envolve um escândalo com o Ueno Bank, que fechou as portas devido a um déficit financeiro.
  • O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e possuía US$ 850 milhões em depósitos públicos.
  • Manifestantes protestaram em frente à casa de Peña, atirando ovos e gritando insultos.

Imagens capturadas por moradores mostram manifestantes reunidos em frente à residência de Peña. Houve confronto com a polícia, com pessoas atirando ovos e gritando insultos contra o veículo que levou o ex-presidente para a base militar.

O ex-presidente foi levado para o Regimento de Escolta Presidencial. Esta é uma unidade militar responsável pela segurança do presidente, sua família, ex-presidentes e líderes estrangeiros que visitam o país oficialmente.

Causas da prisão e acusações

O Ministério Público ordenou a prisão de Peña e de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. A investigação está ligada ao escândalo envolvendo o Ueno Bank. Peña foi intimado a comparecer à promotoria na manhã de sábado.

A decisão foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. O documento destaca que os detidos deverão ser colocados à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, garantindo seus direitos.

Contexto da crise política

Promotores que falaram do lado de fora da casa de Peña, em Assunção, disseram que as acusações ainda estavam sendo definidas. Porém, podem incluir o crime de tráfico de influência. A ordem do Ministério Público foi anunciada pouco tempo após o Senado aprovar o impeachment e destituir o presidente.

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment do chefe de Estado. O placar final no Senado para a destituição foi de 44 votos a favor e uma abstenção.

Entenda a crise no Paraguai

O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3). O fechamento ocorreu depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição. A medida foi tomada ao constatar um déficit nos índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo.

Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado. A instituição contava com cerca de 3 milhões de clientes. Ela concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. A deputada da oposição Rocío Vallejo fez uma fala emocionada durante a sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou", disse a deputada.

Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. Isso ocorreu pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.

"Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", afirmou ele.


Chama no Zap

(66) 98408-0740