Comandante da Voepass foi promovido sem ter a experiência exigida, diz PF

Polícia TRAGÉDIA 09/08/2026 14:34 Metrópoles, via FolhaMax folhamax.com

A Polícia Federal concluiu que o comandante do avião que caiu em Vinhedo (SP) foi promovido sem ter as mil horas de voo em aeronaves ATR que a própria empresa exigia. A falta de experiência pode ter contribuído para a tragédia que matou 62 pessoas.

O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre a queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), aponta que o comandante Danilo Romano chegou ao posto sem cumprir o requisito de experiência estabelecido pela própria empresa.

Segundo a investigação, o regulamento interno da companhia determinava mil horas de voo em aeronaves ATR para a promoção, mas Romano teria assumido a função sem ter voado anteriormente no modelo. Essa falta de experiência pode ter contribuído para a tragédia.

  • Promoção irregular: O comandante foi promovido sem ter as mil horas de voo em aviões ATR que a Voepass exigia.
  • Experiência em outros aviões: Danilo Romano trabalhava com aviões Airbus na Avianca antes de entrar na Voepass, mas não tinha prática no modelo ATR.
  • Denúncia de colegas: Outros pilotos disseram à PF que a promoção de Romano foi contra as regras da empresa.
  • Relações de amizade: Um colega afirmou que Romano conseguiu subir de cargo rapidamente por ter amigos na chefia.
  • Falhas escondidas: A PF acredita que a promoção rápida foi uma forma de convencer o piloto a não registrar problemas do avião.

Romano havia trabalhado com aeronaves Airbus na Avianca antes de ingressar na Voepass. O comandante Marcelo Mantovani afirmou à PF que ele e outros pilotos promovidos no mesmo período tinham experiência em jatos, mas não no ATR. Segundo Mantovani, a ascensão de Romano contrariou diretamente as normas previstas no Regulamento de Procedimentos Operacionais (RPO) da companhia.

A promoção ocorreu sob a estrutura comandada por Rafael Gimenez Rodrigues, que ocupava o cargo de piloto-chefe e também era identificado nos depoimentos como responsável pela área de treinamento.

De acordo com a PF, Gimenez acumulava, na prática, a definição dos critérios para promoção e habilitação de comandantes. Mantovani atribuiu a ele a responsabilidade pela ascensão antecipada de Romano.

Amizades e favores

O comandante Luiz Cláudio de Almeida reforçou a versão. Segundo ele, Romano teria relatado que conseguiu chegar rapidamente ao comando por conta de sua proximidade com integrantes da chefia e de uma relação de "amizade e favores".

O próprio relato atribuído a Romano descreve uma promoção acelerada. Conforme Almeida contou à PF, o piloto teria sido questionado sobre a validade do passaporte e, logo depois, convidado a assumir o comando. Como já havia realizado a base, foi encaminhado para o treinamento no simulador de comandante.

Relação com a queda

Para a Polícia Federal, a falta de experiência específica no ATR teve relevância na condução do voo 2283. O relatório afirma que a promoção colocou um profissional inexperiente no comando de uma aeronave comercial e relaciona a ascensão rápida à suposta cooptação de Romano pelos interesses da gestão, especialmente para que falhas do sistema de degelo não fossem registradas.

A investigação aponta que a promoção não foi apenas antecipada, mas ocorreu em desacordo com uma exigência objetiva do regulamento interno da Voepass: as mil horas de experiência no ATR. O relatório também registra que a rápida ascensão teria sido utilizada como vantagem para obter a adesão do comandante às práticas de omissão de falhas adotadas dentro da companhia.


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