Justiça libera advogada suspeita de ajudar facção em Mato Grosso

Polícia Justiça 27/08/2026 06:38 Jardes Johnson, g1 MT g1.globo.com

Dayane Karol Moreira da Silva, investigada por lavagem de dinheiro, foi solta e deverá usar tornozeleira eletrônica. A defesa diz que ela tem um filho menor e quer a liberdade total.

A Justiça de Mato Grosso liberou a advogada Dayane Karol Moreira da Silva, presa no dia 30 de julho durante a Operação Replay. Ela terá que usar tornozeleira eletrônica e ficar em casa à noite, mas pode sair durante o dia. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.

  • Liberdade parcial: Dayane foi solta na sexta-feira (21) e agora usa tornozeleira eletrônica.
  • O que ela fez A polícia diz que ela regularizava documentos de imóveis para dar aparência legal ao dinheiro da facção.
  • Defesa nega: O advogado dela afirma que Dayane não sabia que os serviços eram usados pelo crime.
  • Filho menor: A Justiça considerou que ela tem um filho pequeno para conceder o benefício.
  • Milhões bloqueados: A operação bloqueou R$ 38 milhões em bens e contas da facção.

A decisão foi assinada pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, na última sexta-feira (21).

A defesa de Dayane disse que ela tem um filho menor de idade e que isso foi um dos motivos da liberdade. Os advogados também pediram um novo habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso para tentar a soltura total.

Segundo a Polícia Civil, Dayane atuava na regularização de documentos de imóveis que estavam no nome de terceiros. A defesa, porém, afirma que ela não sabia que esses serviços eram usados para lavar dinheiro do crime organizado.

O advogado Jean Carlos Pereira, que representa Dayane, disse: "A acusação relata que a Dayane participou ativamente da lavagem de capitais, tendo em vista que foi contratada por um laranja que estava atuando em nome do 'W.T.' e que essa contratação se deu mediante fraude. Nós alegamos que ela não sabia que essa pessoa era laranja e que efetuou o trabalho jurídico como advogada. Temos todos os contratos".

Quem é 'W.T.'

"W.T." é o apelido de Paulo Witer Farias Paelo, preso desde 2024 e apontado como tesoureiro da facção. Mesmo preso, ele continuava dando ordens para o grupo usando celulares dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Ele coordenava a movimentação de dinheiro e a compra de bens.

Operação Replay bloqueou R$ 38 milhões

Além das prisões, a Justiça bloqueou cerca de R$ 20 milhões em imóveis e veículos de luxo, incluindo propriedades em Santa Catarina. Também foram bloqueados R$ 18 milhões em contas bancárias. No total, R$ 38 milhões ficaram indisponíveis.

A Operação Replay é uma continuação de outras investigações contra o Comando Vermelho. A polícia diz que o grupo manteve a estrutura financeira funcionando mesmo depois das fases anteriores.


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