Justiça descobre que ex-gerente cobrou 1,2 milhão de reais de empresário por desvio de grãos em Mato Grosso

Polícia Desvio 02/09/2026 08:47 Leonardo Heitor | Folhamax folhamax.com

A Justiça mato-grossense descobriu que um ex-gerente de uma grande empresa de grãos cobrou mais de 1,2 milhão de reais de um empresário como comissão por supostos desvios de milho e soja. A investigação mostra que o funcionário usava a posição dele na empresa para negociar esses pagamentos e ainda tentou justificar a cobrança dizendo que estava pagando a casa própria.

Um relatório do grupo especializado contra a corrupção (GAECO), que faz parte da Operação Safra Desviada, revelou que um ex-gerente chamado Joheberton da Silva Rondon, conhecido como Beto, teria cobrado aproximadamente R$ 1,22 milhão de um empresário. Essa cobrança de comissão estaria ligada a uma negociação suspeita envolvendo sacas de milho e soja que teriam sido desviadas do Grupo Lermen, uma empresa do setor agrícola.

A operação contra o desvio de grãos começou em fevereiro de 2026 e já teve três fases. Ela investiga um grupo criminoso que teria montado um esquema para roubar soja, milho e algodão. Além de roubar os produtos, o grupo manipulava os registros de estoque e transporte para não ser desmascarado, e ainda escondia os valores roubados em empresas de fachada, configurando lavagem de dinheiro.

Os pontos principais do caso

  • O ex-gerente Beto é acusado de cobrar 1,5% de comissão sobre grãos desviados.
  • A Justiça bloqueou mais de R$ 140 milhões e confiscou mais de 70 veículos.
  • Conversas de WhatsApp provam que o ex-gerente pedia dinheiro para pagar a própria casa.
  • O esquema envolvia grandes volumes de milho e soja dos anos de 2024 e 2025.
  • Um empresário já comprovou ter feito uma transferência de R$ 500 mil para o acusado.

O documento oficial mostra que, na época em que os crimes supostamente ocorreram, Joheberton era gerente e coordenador administrativo do Grupo Lermen. Essa posição de confiança lhe dava acesso a informações e poder de decisão sobre a movimentação de grãos. A Justiça está investigando se ele usou essa posição para ajudar no desvio e na venda irregular desses produtos.

De acordo com a análise dos investigadores, no dia 30 de janeiro de 2025, o ex-gerente enviou uma planilha para o empresário Filipe Faccio, da empresa Sagel Comércio de Cereais. Na tabela, Joheberton listava quanto ele acreditava ter direito a receber por causa da venda de milho e soja, aplicando uma taxa de 1,5% sobre os valores. A planilha divide o cálculo em duas partes principais.

A primeira parte, chamada de Milho 2024, refere-se a 521 mil sacas (mais de 31 milhões de quilos). Sobre esse volume, o valor da comissão calculada seria de quase R$ 500 mil. A segunda parte, a Soja 2024/2025, envolve 449 mil sacas (mais de 26 milhões de quilos), gerando uma comissão de mais de R$ 728 mil. Somando as duas parcelas, chega-se ao valor total de aproximadamente R$ 1,22 milhão, conforme apurado pelo GAECO.

Conversas de WhatsApp mostram a negociação

Além da planilha, as investigações analisaram áudios e mensagens de WhatsApp trocados entre Beto e o empresário. Em uma gravação de janeiro de 2025, o ex-gerente diz que enviaria o fechamento das contas, incluindo pendências antigas do milho e da soja, pedindo que o valor combinado fosse pago.

Na mesma conversa, ele conta que usou referências de preços informadas por uma pessoa chamada Léo para fazer o cálculo. Ele ainda marcou o dia 25 de fevereiro como data limite para o pagamento, pedindo ajuda ao empresário porque, segundo sua justificativa, precisava quitar o financiamento da sua casa. Numa mensagem, ele afirmou: Eu acho que esse 1,5 é justo... Eu nunca dei preço nas coisas dos outros, só coloquei o que a gente combinou.

Os investigadores também encontraram uma conversa em que o empresário enviou o comprovante de um pagamento de R$ 500 mil via TED. Outro episódio grave ocorreu em maio de 2023, envolvendo a esposa do empresário. Numa mensagem, a esposa perguntou se R$ 70 mil eram urgentes, pois o marido só teria o dinheiro no dia 20, mas acabou fazendo um empréstimo para não falhar com a promessa ao ex-gerente.


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