Líder do crime controlava facção pelo celular mesmo escondida na Bolívia

Polícia 26/09/2026 14:15 Gabriel Barbosa - HiperNoticias hnt.com.br

Após fugir de uma prisão em Cuiabá, a foragida Angeliquinha continuou mandando ordens para os membros do Comando Vermelho na região de Alta Floresta (MT) enquanto vivia escondida em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ela foi recapturada com identidade falsa após um ano de investigação internacional.

COMANDO À DISTÂNCIA

A fuga de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, de uma penitenciária feminina em Cuiabá (MT), no dia 17 de agosto de 2025, não impediu que ela continuasse liderando o Comando Vermelho no estado. De acordo com a Polícia Civil, mesmo morrendo escondida em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, a mulher mantinha comunicação direta com seus subordinados e continuava dando ordens à organização criminosa.

  • A líder da facção comandava as operações em Alto Floresta por meios de comunicação à distância.
  • Ela foi localizada na terça-feira (22) em uma rua de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
  • Angeliquinha possuía um documento de identidade falso com outro nome.
  • A foragida teria alterado as características do rosto para dificultar seu reconhecimento.
  • Os crimes dela somam cerca de 260 anos de pena e inclui o assassinato de quatro homens.

Investigação revela gestão do crime à distância

A informação foi divulgada pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), durante uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (23), após a prisão da foragida.

Ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa, e mesmo quando agora está na Bolívia, afirmou o delegado.

Segundo Victor Hugo, os dados mostram que Angeliquinha mantinha contato com integrantes que ocupavam posições inferiores à dela na estrutura da facção. A polícia agora busca entender como esses contatos eram feitos e qual era a real extensão da atuação dela durante o período em que esteve fora do país.

A Polícia Civil destaca que a atuação de Angeliquinha como líder não começou durante a fuga. Ela já ocupava um posto de comando após ganhar espaço nas atividades criminosas na região de Alta Floresta e em municípios vizinhos.

Desde que ela começa a se destacar nas atividades criminosas, ela passa a ser a líder da organização criminosa ali naquela região. Então, a partir disso, ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa, e mesmo quando agora está na Bolívia, explicou o delegado.

Influência mantida dentro e fora do presídio

Ainda conforme a investigação, Angeliquinha também teria mantido influência enquanto estava presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. O delegado afirmou que ela mantinha uma posição de respeito entre as outras detentas e continuava sendo tratada como liderança dentro da organização.

Após a fuga, no dia 17 de agosto de 2025, Angeliquinha deixou Mato Grosso e seguiu para a Bolívia. A Polícia Civil identificou que ela estava em Santa Cruz de la Sierra e iniciou uma operação conjunta com autoridades bolivianas para localizá-la.

Mesmo à distância, segundo o delegado, ela continuou em contato com a facção.

Continuava em contato direto com as hierarquicamente inferiores a ela lá em Alta Floresta, afirmou Victor Hugo.

A investigação agora pretende analisar dados telemáticos para identificar a dimensão desses contatos e compreender qual era a posição de Angeliquinha dentro da estrutura criminosa durante o período em que permaneceu foragida.

Estratégia de esconderijo na fronteira

Além de investigar a manutenção da liderança, a Polícia Civil apura por que Angeliquinha escolheu Santa Cruz de la Sierra para permanecer escondida. A cidade fica em uma região considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas, e a polícia investiga se ela possuía alguma função relacionada à entrada, saída ou negociação de entorpecentes pela fronteira.

Segundo Victor Hugo, a permanência dela no local chamou a atenção dos investigadores justamente pela importância estratégica da região para organizações criminosas.

A gente vê ela como uma posição de destaque ali, porque é uma pessoa de destaque não só para o extremo norte do estado, mas para a facção, afirmou.

O delegado ressaltou que a real atuação de Angeliquinha na Bolívia ainda será investigada.

Detenção com identidade falsa e cirurgias plásticas

Angeliquinha foi localizada na rua, em Santa Cruz de la Sierra, na terça-feira (22), durante uma ação conjunta entre investigadores brasileiros e autoridades bolivianas. No momento da abordagem, segundo a Polícia Civil, ela apresentou um documento brasileiro falso com outra identidade. A identificação facial e as informações previamente repassadas às autoridades permitiram confirmar quem ela era.

A Polícia Civil também afirma que a foragida realizou procedimentos estéticos durante o período em que permaneceu na Bolívia e teria alterado características do rosto para dificultar o reconhecimento. Ela aguarda os procedimentos das autoridades bolivianas para retornar ao Brasil e ser encaminhada ao sistema prisional de Mato Grosso.

Angeliquinha possui condenações que, segundo a Polícia Civil, somam aproximadamente 260 anos por crimes diversos e seis mandados de prisão em aberto. Entre as condenações está uma pena de 99 anos e 11 meses pelo Tribunal do Júri de Nova Monte Verde pela morte de quatro homens, além de ocultação de cadáver e participação em organização criminosa.


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