Polícia prende quadrilha que usava maçarico para roubar caixas eletrônicos no Brasil

Polícia Investigação 05/11/2026 13:31 G1 MT araguaianoticia.com.br Cuiabá MT

Uma operação da Polícia Civil desarticulou um grupo interestadual que usava maçaricos industriais para abrir caixas eletrônicos. Os suspeitos roubaram dinheiro, removeram a tinta de segurança das notas com química e depositaram valores pequenos em várias contas para se livrar da investigação. A ação cumpriu 74 ordens judiciais em três estados.

Um grupo criminoso que atuava em vários estados foi alvo da Operação Círculo Vicioso, realizada pela Polícia Civil na quinta-feira (5). O bando era especialista em arrombar caixas eletrônicos. Os suspeitos usavam equipamentos pesados para abrir os cofres das máquinas e tinham um esquema organizado para limpar o dinheiro roubado e evitar a polícia.

A operação cumpriu 74 ordens judiciais. Foram executadas 10 prisões preventivas, 18 buscas e apreensões, 18 acessos a dados de celulares, 15 quebras de sigilo bancário e 13 bloqueios de valores. O total bloqueado chega a aproximadamente R$ 240 mil.

  • Foram cumpridos 74 mandados judiciais em Mato Grosso, Santa Catarina e Maranhão;
  • O grupo foi condenado a bloqueio de cerca de R$ 240 mil em ativos financeiros;
  • O crime principal começou com um furto de R$ 105 mil em Várzea Grande, MT, em janeiro de 2026;
  • Criminosos usavam lança térmica para cortar paredes e máquinas com ajuda de lonas;
  • Para não ser pego, o dinheiro era lavado depositando pequenas quantias em várias contas (técnica do smurfing).

As ações ocorreram em Cuiabá e Rondonópolis, no Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A operação contou com a força da Polícia Civil dos três estados e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O objetivo era prender os principais envolvidos e confiscar o produto do crime.

O crime inicial e o uso de equipamento industrial

A investigação começou depois que um caixa eletrônico dentro de um supermercado, no bairro Praia Grande, em Várzea Grande (MT), foi invadido na madrugada de 21 de janeiro de 2026. Para abrir a máquina, os bandidos usaram uma lança térmica, uma ferramenta de fábrica que corta materiais muito resistentes. Mesmo quando a tinta de segurança foi liberada sobre as notas, os suspeitos levaram R$ 105 mil.

A partir desse primeiro roubo, a polícia identificou outros ataques com o mesmo modus operandi. Ao todo, foram ligados ao grupo seis furtos ocorridos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, na região de Cuiabá e Várzea Grande. Todos seguiam o mesmo roteiro de invasão.

Esquema organizado para lavar o dinheiro

O grupo agia de forma muito organizada. Eles faziam buracos nas paredes e usavam lonas para esconder a luz do corte feito pela lança térmica, dificultando a visão dos vizinhos e câmeras. Essa técnica permitia que eles chegassem ao dinheiro guardado nos cofres.

A quadrilha estava dividida em núcleos. Alguns só arrombavam; outros cuidavam da parte técnica. Eles usavam produtos químicos para remover a tinta de segurança que invalida as notas roubadas. Depois de limpar as cédulas, o dinheiro era depositado em pequenas frações em várias contas bancárias. Essa prática é conhecida como smurfing e serve para enganar os sistemas de rastreamento.

Parte do dinheiro também ia para contas de terceiros não identificados diretamente no crime. As imagens de câmeras de segurança dos bancos ajudaram a polícia a identificar os rostos dos envolvidos nas diferentes fases do esquema, do roubo ao depósito.

Grupos vinham de outros estados para cometer furtos

A investigação mostrou que o grupo não ficava só em Mato Grosso. Moradores de Santa Catarina viajavam para o Mato Grosso para participar dos ataques. Os policiais também encontraram indícios de que os suspeitos tinham passagens por crimes no Rio de Janeiro e em Alagoas antes de se mudarem para a região Centro-Oeste.

Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 239.980,52 em contas e bens dos investigados. Esse valor cobre os prejuízos de quatro dos furtos já confirmados. O valor final pode aumentar conforme a análise financeira dos demais casos do esquema for concluída pela polícia.


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