Aliados de Flávio Bolsonaro pedem sanções dos EUA contra ministro do STF

Politica sanções 29/05/2026 08:49 Folhapress noticiasaominuto.com.br

O empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro estão nos Estados Unidos pedindo ao governo Trump que aplique sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Eles querem usar a Lei Magnitsky, que permite punições financeiras e proibição de entrada no país. Além disso, já conseguiram que os EUA classifiquem as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltaram a defender, junto ao governo dos Estados Unidos, a aplicação de sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. Esse mecanismo permite punições financeiras e restrições de entrada no país.

  • O pedido foi feito em todas as reuniões que a equipe teve em Washington
  • A classificação do PCC e do CV como terroristas já foi aprovada por Trump
  • O governo Lula critica a medida e diz que é um pretexto para intervenção estrangeira
  • As sanções contra Moraes foram retiradas em dezembro, mas podem voltar
  • Flávio Bolsonaro preferiu não se envolver no pedido de sanções

A informação foi confirmada por Figueiredo à Folha. "Fiz esse pedido em todas as reuniões que nós tivemos", disse ele, que ressalta que a solicitação partiu apenas dele e de Eduardo, mas não de Flávio.

A declaração de Figueiredo ocorre após o governo Donald Trump decidir classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Reações e impactos

Para Figueiredo, a decisão americana de classificar os grupos colocou o governo Lula numa posição delicada. "A gente deu um nó no Lula", afirmou.

Segundo ele, a medida representou "um golaço para o Brasil" e "um golaço político" para a pré-campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

Já o governo Lula (PT) critica a medida. O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, afirmou que as facções criminosas devem ser combatidas, mas criticou a classificação como organizações terroristas. Em nota, o ex-chanceler disse que pretextos para intervenção estrangeira no Brasil são inaceitáveis.

"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", afirmou o conselheiro do presidente Lula, por meio de nota.

Além da designação, Paulo Figueiredo, que acompanhou os irmãos Bolsonaro em reuniões realizadas nesta semana em Washington, diz que a defesa da retomada das sanções contra Moraes é uma pauta permanente sua e de Eduardo. "Posso perder, mas vou continuar advogando por esse assunto", afirmou o empresário.

Já Flávio Bolsonaro, de acordo com Figueiredo, preferiu se "abster" do tema. "Eu e Eduardo Bolsonaro sempre atuamos nessa direção e continuamos defendendo essa medida", disse Figueiredo.

Reuniões e próximos passos

Na terça-feira (26), o grupo esteve na Casa Branca em encontro com o presidente Donald Trump. No dia seguinte, reuniram-se com Marco Rubio e Christopher Landau, secretário de Estado e secretário-adjunto de Estado dos EUA, respectivamente. Eles também se reuniram com outros integrantes da diplomacia.

Durante a CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos, realizada em março, Eduardo Bolsonaro já havia mencionado a possibilidade de retomada das sanções contra Moraes. O ministro do STF e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, chegaram a ser alvo da medida no ano passado, mas as restrições foram posteriormente revertidas em dezembro.

"Ela pode retornar. Assim como saiu por vontade do presidente, basta o presidente Trump querer que ela volte. Por onde eu passo, tenho falado e pedido esse retorno", disse Eduardo à época.


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