O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que confia no sistema de votação eletrônico e que o debate político deve focar em projetos para o país. A declaração foi dada depois que o senador Flávio Bolsonaro levantou suspeitas sem provas sobre as urnas em um evento com embaixadores estrangeiros.
O governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quarta-feira, 22, que confia nas urnas eletrônicas. A declaração foi dada em reação às falas do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro durante um evento com embaixadores estrangeiros.
- Tarcísio de Freitas disse que confia nas urnas eletrônicas e que sem elas não estaria disputando a eleição.
- Flávio Bolsonaro pediu que outros países enviem observadores para as eleições brasileiras, levantando suspeitas sem provas.
- O senador associou as urnas brasileiras a uma empresa venezuelana, mas o TSE já negou qualquer relação.
- Partidos de oposição entraram com uma ação no TSE contra Flávio por divulgar informações falsas.
- Tarcísio também comentou a tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, dizendo que o país precisa defender seus interesses.
Conforme revelou o Estadão/Broadcast, Flávio pediu aos representantes que seus países enviem observadores para acompanhar as eleições brasileiras e associou, sem apresentar provas, as urnas usadas no país a suspeitas de manipulação eleitoral na Venezuela.
A declaração de Tarcísio
Olha, eu confio nas urnas. Até porque, se eu não confiasse, não estaria disputando a eleição, né Foram as urnas que me trouxeram aqui, disse Tarcísio, em entrevista coletiva. Acho que a gente tem que discutir projeto. O importante é discutir projeto, olhar o que o Brasil está precisando e sair dessa discussão que não vai levar a lugar nenhum, acrescentou.
O chefe do Executivo paulista participou de um evento em comemoração aos 25 anos da BandNewsTV, na capital paulista. Também compareceram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; os ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Frederico Siqueira, das Comunicações; além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
O discurso de Flávio Bolsonaro
Na terça-feira, 21, Flávio discursava no evento Debatendo o Brasil, promovido pela agência Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, quando mencionou que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2023, justamente em razão de uma reunião com embaixadores. Ao longo da exposição, o pré-candidato repetiu informações falsas sobre as urnas.
O senador citou um documento da CIA que aponta suspeitas de manipulação nas eleições venezuelanas de 2010 e afirmou que parte das urnas usadas no Brasil tem a mesma origem da empresa Smartmatic, mencionada no relatório.
Resposta do TSE e ação judicial
O Tribunal Superior Eleitoral já negou essa associação em uma nota de 2020, na qual afirma que o sistema eletrônico de votação brasileiro foi concebido e é administrado exclusivamente pela Justiça Eleitoral. As declarações provocaram uma reação jurídica do campo adversário. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, protocolou nesta quarta-feira uma representação no TSE contra Flávio pelas declarações.
Os partidos argumentam que o senador divulgou uma informação sabidamente falsa. Segundo a representação, o relatório da CIA citado por ele trata apenas da atuação da Smartmatic na Venezuela e não faz qualquer referência ao sistema eleitoral brasileiro. Na ação, a federação pede que o TSE determine, em caráter liminar, a remoção de publicações sobre o tema feitas por Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta.
Os partidos também solicitam que os quatro parlamentares sejam proibidos de propagar a associação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras, sob pena de multa de R$ 30 mil para cada um ao fim do processo.
Flávio e o novo tarifaço
Tarcísio também afirmou que é preciso deixar de procurar narrativas ao comentar a relação de Flávio Bolsonaro com a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros nesta quarta-feira, 22. Ao chegar ao evento, o governador deu uma declaração rápida à imprensa e afirmou que Flávio não tem nada a ver com o novo tarifaço.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já discursou em uma audiência com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, e também enviou ao órgão um documento sugerindo que as tarifas fossem adiadas em razão das eleições brasileiras deste ano. A gente tem que deixar de ficar procurando narrativa para entender a questão sob o prisma comercial, disse Tarcísio. Os países estão ali tentando defender os seus interesses. O americano está defendendo o interesse dele, e o brasileiro tem que defender o seu interesse também, completou.

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