Pesquisa Datafolha mostra que 38% dos brasileiros acham o governo Lula ruim ou péssimo, 32% consideram ótimo ou bom e 28% regular. Os números não mudaram nos últimos meses. Em 2025, o presidente melhorou sua imagem após lançar uma campanha em defesa da soberania do país.
SÃO PAULO - A avaliação do governo do presidente Lula (PT) se manteve estável na mais recente pesquisa do Datafolha, mesmo depois das novas taxas de importação aplicadas por Donald Trump. Consideram a gestão ruim ou péssima 38% dos entrevistados, enquanto 32% a veem como ótima ou boa. Outros 28% a classificam como regular.
- 38% dos brasileiros acham o governo Lula ruim ou péssimo
- 32% consideram o governo ótimo ou bom
- 28% avaliam a gestão como regular
- Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades
- Margem de erro é de dois pontos percentuais
Os pesquisadores entrevistaram 2.004 pessoas com mais de 16 anos em 139 cidades entre quarta (22) e quinta (23). A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o levantamento está registrado sob o código BR-01166-2026.
O resultado repete os números das pesquisas anteriores, de maio e junho, e não mostra o impacto do principal problema do governo no período recente: a nova rodada de taxas extras dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil.
Essa medida foi anunciada no dia 15 por causa de uma investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras. Também houve taxas por acusações de trabalho escravo na quarta-feira (22).
Na época da primeira taxação, que estava ligada à tentativa do governo Trump de influenciar o Supremo Tribunal Federal a não condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe em 2025, Lula havia conseguido melhorar sua imagem com a campanha nacionalista que lançou.
Entre julho e setembro do ano passado, ele foi de 29% para 33% de avaliação ótimo e bom, número que se manteve estável até hoje. Na pesquisa daquele julho, porém, Lula ainda não tinha registrado melhora, o que veio depois.
Resta saber, portanto, se o uso da nova taxação na campanha eleitoral contra o filho mais velho de Bolsonaro, seu rival Flávio (PL), terá algum efeito agora.
O índice de aprovação do governo também ficou estável, passando de 48% para 49% de junho para cá. A desaprovação caiu de 49% para 48%.
No terceiro mandato, iniciado em 2023, Lula só teve uma grande mudança nos seus números de avaliação, quando viu o índice ótimo/bom cair de 35% para 24% entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, o pior nível de todos os seus governos desde 2003.
Naquele momento, houve várias crises, sendo a mais chamativa a confusão sobre a taxação de movimentações do Pix. Curiosamente, o sistema de pagamento instantâneo está no centro da queixa americana agora, que o vê como prejudicial às empresas de cartão de crédito dos EUA.
O governo Lula é mais mal avaliado entre homens (43% de ruim/péssimo), moradores do Sul (46%), pessoas com curso superior (48%) e evangélicos (51%). Esses dados coincidem com a intenção de voto nesses grupos.
Já avaliam o governo de forma positiva acima da média os católicos (38%), os mais pobres (39%), aqueles acima de 60 anos (42%), os nordestinos (45%) e os menos instruídos (46%). Esses números também seguem a linha da preferência eleitoral.
O Datafolha também perguntou quais são os temas que mais preocupam os brasileiros, com resultados parecidos com os da pesquisa anterior.
A saúde continua na frente com 21%, seguida pela segurança pública com 19% e a economia com 14%. Mais abaixo estão corrupção (9%), educação (8%) e desemprego (5%), além de outros itens.

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