Dois altos funcionários do governo Trump devem vir a Brasília para questionar a segurança das urnas eletrônicas, gerando reação de diplomatas brasileiros que consideram a ação uma interferência na democracia do país.
O governo dos Estados Unidos planeja enviar a Brasília dois altos funcionários do Departamento de Estado nas próximas semanas. A missão, segundo o The Washington Post, quer levantar dúvidas sobre a segurança e a transparência das eleições brasileiras, que acontecem em 4 de outubro.
- Dois enviados de Trump virão ao Brasil para investigar as urnas eletrônicas
- Diplomatas brasileiros chamaram a ação de interferência na democracia
- Os enviados podem se reunir com críticos das urnas para fazer relatórios
- O governo brasileiro avalia medidas para impedir essas reuniões
- A visita acontece em meio a tensões entre Brasil e EUA sobre vários assuntos
A delegação será formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente. Ambos foram nomeados pelo presidente Donald Trump, segundo fontes americanas e brasileiras ouvidas pelo jornal.
Nos bastidores, a iniciativa causou reação de diplomatas brasileiros, que classificaram a visita como ingerência. Eles disseram que avaliam medidas para impedir que os enviados façam reuniões e ações relacionadas ao processo eleitoral. "É uma manobra totalmente incompatível com a democracia brasileira", afirmou um diplomata ao Washington Post, sem se identificar.
Suspeitas sobre as urnas eletrônicas
De acordo com o jornal, a suspeita é de que Barnes e Samson queiram conversar com críticos das urnas eletrônicas. O objetivo seria produzir relatórios que possam ser usados para deslegitimar o sistema de votação. O Departamento de Estado confirmou a viagem, mas não deu detalhes sobre o objetivo.
Entre funcionários ouvidos pelo Post, houve críticas à estratégia. "É extremamente nocivo ver este secretário usar o poder americano para minar eleições confiáveis em outras nações por motivos ideológicos", disse um integrante do órgão, também sem se identificar.
Tensões entre Brasil e Estados Unidos
A movimentação acontece em meio a um ambiente de atritos entre os dois países. As disputas envolvem liberdade de expressão, medidas comerciais e o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Post, a ação faz parte de uma postura maior do governo Trump de apoio a agendas conservadoras na América Latina.
No Brasil, o tema das urnas voltou ao debate após Flávio Bolsonaro defender a ampliação de observadores internacionais. Ele repetiu alegações associando, sem nenhuma prova, o sistema brasileiro à empresa Smartmatic. Essa tese já foi refutada várias vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Trump deve enviar representantes a Brasília para investigar sistema eleitoral brasileiro (MANDEL NGAN / AFP)





