Ex-deputada Carla Zambelli contratou o advogado Eduardo Maurício para contestar suas condenações no STF e evitar ser enviada de volta ao Brasil. A defesa alega perseguição política e falta de imparcialidade dos juízes.
A ex-deputada federal Carla Zambelli contratou o advogado brasileiro Eduardo Maurício para reforçar sua defesa e contestar as condenações impostas pela Justiça brasileira. O novo defensor começou a atuar na quinta-feira, dia 17, e vai trabalhar junto com o advogado italiano Pieremilio Sammarco nos processos e no pedido de extradição da ex-parlamentar.
O objetivo principal da nova equipe jurídica é questionar as decisões judiciais que a condenaram e tentar impedir que ela seja levada de volta ao Brasil para cumprir pena. A defesa argumenta que as sentenças foram injustas e motivadas por questões políticas.
- Zambelli contratou o advogado Eduardo Maurício para ajudar na defesa contra a extradição.
- O advogado italiano Pieremilio Sammarco também faz parte da equipe de defesa.
- São questionadas condenações de 10 anos por fraude no CNJ e de 5 anos por porte de arma.
- A defesa alega perseguição política e falta de imparcialidade dos ministros do STF.
- A Justiça italiana já anulou ordens de extradição, mantendo Zambelli solta no país.
Questões de imparcialidade e segurança jurídica
Em comunicado, Eduardo Maurício afirmou que a intenção é adotar medidas legais para tentar anular as duas condenações que Zambelli recebeu. Para o advogado, as decisões foram resultado de uma perseguição política. Ele aponta que, nesses processos, não foram respeitados direitos básicos como o devido processo legal, a chance de se defender plenamente e a busca pela verdade dos fatos.
A estratégia da defesa inclui contestar o segundo pedido de extradição feito pelo Brasil à Itália. De acordo com Maurício, a equipe vai questionar a imparcialidade dos juízes que decidiram o caso. Ele cita os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes como pontos centrais da argumentação.
O advogado declarou que, na opinião da defesa, não há garantia de que Zambelli terá um julgamento justo e imparcial caso seja entregue às autoridades brasileiras. Ele afirmou de forma dramática que enviar Zambelli de volta ao Brasil seria condená-la à morte, sugerindo riscos à sua integridade física ou liberdade.
Condenações e antecedentes judiciais
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal em 2025 a dez anos de prisão. A punição foi por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma fraude no sistema judicial, e pela emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Além dessa condenação, a ex-deputada recebeu uma pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal usando uma arma. Este episódio ocorreu durante o segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli, com uma arma em punho, perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas da região dos Jardins, em São Paulo.
Situação atual na Itália
Carla Zambelli está solta desde maio deste ano. Ela havia permanecido presa na Itália enquanto o processo de extradição para o Brasil acontecia. Em março, a Justiça italiana tinha autorizado o envio da ex-deputada ao Brasil para que ela respondesse às condenações do STF.
No entanto, o processo de extradição não chegou ao fim. A instância máxima do Judiciário italiano anulou, em duas ocasiões diferentes, as decisões que permitiam a extradição. Isso resultou na liberação de Zambelli. O governo brasileiro voltou a pedir a extradição, mas o processo segue em aberto, sem uma data definida para que ela seja enviada para cumprir as penas determinadas pelo STF no Brasil.

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