Dinheiro do tráfico suspeito de financiar filme sobre Bolsonaro

Politica Crime 24/09/2026 13:38 Folhamax folhamax.com

O ministro da Fazenda afirma que os recursos para financiar a produção do filme 'Dark Horse' podem ter origem no crime organizado. As suspeitas surgem após a ligação entre o esquema de lavagem de dinheiro, precatórios e uma empresa intermediadora que já teve sua liquidação decretada pelo Banco Central. A Polícia Federal investiga a conexão entre o grupo Master e facções criminosas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quinta-feira (24) que os recursos utilizados para financiar o filme Dark Horse, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, podem ter origem no crime organizado. A afirmação faz parte das investigações que vêm sendo conduzidas sobre o uso de fundos ilícitos.

Durigan explicou que as movimentações financeiras mostram sinais claros de que há uma única fonte para essas operações. "Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações [Dark Horse] vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso. Aí é muito complicado você identificar o que que é cada coisa. Se tem dinheiro do PCC, se tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo. É um trabalho identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estejam sendo feitas aqui em Brasília, seja para apurações do Supremo e de São Paulo (...) Mas tudo indica que sim", declarou o ministro.

  • O ministro da Fazenda aponta indícios de que a máfia dos combustíveis financiou a produção cinematográfica.
  • A empresa Entre Investimentos, do empresário "Mineiro", é suspeita de intermediar os pagamentos ao filme.
  • A Entre Investimentos foi liquidada pelo Banco Central em março devido a irregularidades e prejuízos a credores.
  • "Mineiro" firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no Caso Master.
  • As investigações da Operação Carbono Oculto ligam o esquema de precatórios ao financiamento da mídia.

Operação Carbono Oculto revela nova conexão

A avaliação do ministro baseia-se nas informações divulgadas na terceira fase da Operação Carbono Oculto. Essa fase da investigação ligou diretamente a máfia dos combustíveis ao esquema financeiro conhecido como Caso Master, que envolveu o uso indevido de precatórios. A operação busca desmontar a rede de lavagem de dinheiro que utilizou o setor bancário para ocultar patrimônio ilícito.

Entre os principais alvos das buscas da operação estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. Também foi alvo o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido popularmente como Mineiro, dono da empresa Entre Investimentos. Vale ressaltar que a Entre Investimentos faz parte do grupo Entrepay, o qual foi liquidado em março deste ano pelo Banco Central (BC).

Intervenção do Banco Central e acordo de delação

A decisão do Banco Central pela liquidação da Entrepay foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição. Além disso, foram constatadas irregularidades no cumprimento das normas que regem o setor financeiro, com prejuízos considerados graves o suficiente para expor os credores a um risco anormal de inadimplência.

No âmbito legal, o Mineiro assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Esse acordo foi firmado no contexto das investigações sobre o Caso Master. As informações obtidas com essa colaboração ajudam a traçar o caminho do dinheiro e a identificar os responsáveis pela movimentação de recursos.

Filme sobre Bolsonaro como destino do dinheiro lavado

Segundo apontam as investigações, a empresa Entre Investimentos, que teve sua liquidação decretada, intermediou os pagamentos destinados ao filme sobre o ex-presidente. Para o ministro Durigan, a empresa recebeu recursos simultaneamente do grupo Master e do crime organizado. De acordo com ele, todos esses valores foram colocados "dentro de um mesmo bolso" com o objetivo de ocultar patrimônio, lavar dinheiro e "corromper" agentes públicos.

A Polícia Federal (PF) já havia identificado a conexão da empresa com o crime organizado em uma fase anterior da Operação Carbono Oculto. O ministro Durigan afirmou ainda que a atuação deste grupo financeiro permitiu a corrupção de autoridades públicas. "Isso acho que as autoridades vão poder esclarecer não é um tema que nós vamos tratar do ponto de vista do Ministério da Fazenda, eu acho que isso vai ser esclarecido pelas autoridades competentes", afirmou o ministro ao ser questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse.


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